domingo, 29 de outubro de 2017

RESPOSTA AO SENHOR EVANDRO MALARA

 


Sinceramente, não entendemos suas colocações, exaradas no facebook “Ferroviária em Campo”. O senhor quer a Ferroviária no Campeonato Brasileiro e ao mesmo tempo a recrimina por entender que ela está servindo de “sparring” para times de moleques.





O caminho para chegar ao Brasileiro é a Copa Paulista, é ser campeã dessa competição. Se, circunstancialmente, ela tem de enfrentar algum time de moleques, não é problema dela. Ela tem mais é que jogar pra ganhar e tentar a conquista do título máximo, que é o que ela está fazendo. A Ferroviária não tem culpa se o Santos resolveu colocar um time muito jovem para as disputas da Copa Paulista. E o Santos tem as suas razões para tanto, pois tem disputado, simultaneamente, outras competições importantes.

Ademais, ela também tem um time jovem, com média baixa de idade, prestigiando assim o trabalho de formação da base e dentro de sua realidade financeira.

A Ferroviária tem duas chances para disputar a série D do Campeonato Brasileiro: sendo campeã da Copa Paulista, o que é muito difícil, ou conquistando uma boa colocação no Paulistão, o que também é muito difícil. Não há uma terceira forma; ela não pode comprar uma vaga. Tem de conquistá-la dentro de campo.

Além do mais, estamos sendo ingratos com a S.A., que foi criada para salvar a Ferroviária do fechamento de portas.  Amamos a AFE e repudiamos a Ferroviária Futebol S.A. Só que esta foi criada para gerenciar o futebol afeano, no dia 11 de novembro de 2003, quando o clube se encaminhava para a falência.

Lembremos que a S.A. pegou o futebol da AFE na quarta divisão do futebol paulista e o guindou à divisão principal, a divisão de elite.

A Ferroviária estava na iminência de cerrar as portas... e hoje frequenta o grupo dos melhores clubes do Estado de São Paulo, líder da federação. E tem lutado para voltar a disputar competições nacionais.

Convém também lembrar que, bem antes da criação da S.A., a Ferroviária abdicara do direito de disputar a série B do Brasileiro, em 1996. No primeiro semestre daquele ano, o time foi rebaixado no Paulistão... e a diretoria do clube decidiu não disputar o Brasileiro, encerrando as atividades do futebol naquele ano.

Portanto, não se pode imputar à S.A. o fato de a AFE não estar disputando uma competição de caráter nacional. Muito antes disso, ela havia perdido esse direito.

Lembrando ainda que a Ferroviária participou, nos últimos tempos, de três edições da Copa do Brasil.

Quanto às virtudes dos ex-dirigentes grenás, que enfrentaram situações terríveis para manter o time em atividade, vivemos enaltecendo-os, inclusive em livros, louvando o estoicismo deles, que jamais chegaram ao extremo de pedir licença do time junto à Federação Paulista de Futebol. Desde que iniciou as atividades do futebol profissional, em 1951, até hoje, a Ferroviária jamais passou um ano sem disputar o Campeonato Paulista e as competições oficiais promovidas pela F.P.F.

Quanto à interferência da política e de políticos na vida do clube, não devemos ser hipócritas. Ela sempre houve e seguirá tendo sempre. Afinal de contas, onde é que a política não interfere?

A Ferroviária teve quatro presidentes extraordinários, de importância fundamental para a sua história... Os quatro foram políticos.

A começar do fundador do clube, Antônio Tavares Pereira Lima, que foi prefeito municipal de Araraquara. José Wellington Pinto, Mário Joel Malara e Aldo Comito foram presidentes de grande valor, com folhas de serviço magníficas, e eram vereadores. A política está entranhada na sociedade e em suas instituições.

Por último, senhor Evandro, se a sua preocupação era ver a Ferroviária enfrentando time de moleques, certamente agora deverá ser outra, pois vem aí o titularíssimo time da Lusa do Canindé, e prepare-se... vai ser uma parada dificílima. O ano passado, a Ferroviária esteve muito próxima de conseguir a tão sonhada vaga para o Brasileiro da série D. Este ano, está chegando às semifinais da Copa Paulista, em nova tentativa, realizando até aqui a melhor campanha entre todos os concorrentes. O que mais podemos exigir?


                                 Vicente Henrique Baroffaldi



Elaboração : Vicente Henrique Baroffaldi

Edição: Paulo Luís Micali 

Um comentário:

  1. Paulo Celso biasioli30 de outubro de 2017 11:01

    Repetir nada custa..."o futebol de hoje não é , definitivamente, o mesmo de décadas atrás. Tenho idade para dizer que vivi intensamente cada passo da AFE em todos estes ambientes passados. Não há mais formulas básicas e mágicas a não ser começar pelas bases. Não há R$ circulando entre clubes (mesmo os grandes estão ou estarão afundados em dívidas, mesmo com cotas e patrocinios altos, vis-a-vis despesas. A AFE tem que continuar forte e para isso uma receita só: UNIÃO e apoio à quem a comanda (duro até pra mim que discordo visceralmente qto sua origem e posição politico-partidária)

    ResponderExcluir