quinta-feira, 11 de maio de 2017

O INÍCIO DE DOUGLAS ONÇA COMO PROFISSIONAL




Foi já na fase aguda do Paulistão de 1979 que o meia Douglas Onça teve a oportunidade de jogar no time principal da Ferroviária.
Faltavam quatro rodadas para o encerramento do segundo turno e a Ferroviária lutava para chegar à etapa seguinte. O seu futebol evoluía, sob o comando do treinador Sérgio Clérice. 

O primeiro jogo de Douglas Onça como profissional
   
Então, surgiu a primeira oportunidade para o garoto de ouro da Vila Xavier. A Ferroviária jogaria na Fonte Luminosa, contra a Francana, e Douglas foi escalado. Correspondeu, garantindo a permanência no time.
Foi no dia 21 de outubro de 1979, um domingo. A Locomotiva saiu de campo com a vitória, por 1 a 0, tento marcado por Galdino, cobrando pênalti, aos 25 minutos do primeiro tempo.
José Pereira da Silva dirigiu o encontro, que rendeu Cr$ 143.670,00. O público pagante foi de 3.028.
A Ferroviária teve esta formação: Tião; Paulão, Sérgio Miranda, Sabará (Samuel) e Luís Florêncio; Douglas Onça, Nandes (Serginho) e Lavinho; Parraga, Toninho e Galdino.
A Francana alinhou com: Geninho; Norival, Poli, Zé Mauro e Pavão (Foguinho); Reinaldo (Marinho), Borjão e Jean; Delém, Assis e Sérgio Ramos.



No segundo jogo, os dois primeiros gols de Douglas Onça
    
A Ferroviária voltava a jogar em seu estádio, no dia 24 de outubro de 1979. E Douglas Onça tinha nova chance de se firmar como titular. Não decepcionou. Marcou os dois gols afeanos, ambos no segundo tempo, definindo a sorte do jogo. Foi contra o Velo Clube, que saiu na frente. A AFE virou, 2 a 1. Mauro Félix da Silva dirigiu a partida. A renda somou Cr$ 117.180,00, com público pagante de 2.490, numa quarta-feira à noite.
A Ferroviária jogou com: Tião; Zé Rubens, Paulão, Samuel e Luís Florêncio; Nandes, Douglas Onça e Lavinho (Adilson); Toninho, Parraga (Serginho) e Galdino. 
O gol do Velo Clube foi anotado por Mazola, no primeiro tempo. O time de Rio Claro formou assim: Aranha; Aílton, Gomes (Santos), Ademar e Hércules; Silva, Edson Augusto e Guerra; Mazola, Caiaba e Luís Carlos (Odair Cologna).


AFE x Velo (24/10/79)

As únicas derrotas de Douglas Onça em 1979
   
A Ferroviária realizou, em seguida, três jogos fora de Araraquara, perdendo todos eles. Douglas participou de dois deles, em Sorocaba, contra o São Bento (0 a 3), no dia 28.10.1979, e em São Paulo, contra a Portuguesa (0 a 2), em 04.11.1979. 

Ferroviária classificada e Douglas, a revelação
     
A Ferroviária conseguia classificar-se para as Semifinais da Segunda Fase, etapa importante que indicaria os componentes das Semifinais do Paulistão.
Faltou muito pouco para a esquadra grená de Araraquara alcançar a classificação. Desenvolveu uma campanha admirável nos cinco jogos que disputou, quase tirando o Corinthians da decisão.
Nesses cinco jogos, Douglas Onça mostrou o seu futebol, não sentindo o peso da responsabilidade. 
Nos dois primeiros compromissos do time, ambos fora da Fonte Luminosa, o astro foi Douglas Onça, autor do gol da vitória contra a Ponte Preta, em Campinas, e do gol afeano contra o São Paulo, na capital.
Em 07.11.1979, Ponte Preta 0 x 1 Ferroviária, no Moisés Lucarelli, gol único do jogo de autoria de Douglas Onça, aos 23 minutos do primeiro período. Romualdo Arppi Filho apitou e a renda chegou a Cr$ 347.930,00, com público pagante de 7.369.
A Ferroviária se apresentou com: Tião; Carlos, Sabará, Samuel e Luís Florêncio; Nandes, Douglas Onça e Paulo César; Bispo (Toninho), Serginho e Galdino. 
A Ponte Preta foi de: Carlos; Edson, Juninho, Nenê e Odirlei; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Brida (Toninho), Osvaldo (Chicão) e João Paulo
Em 11.11.1979, São Paulo 1 x 1 Ferroviária, no Parque Antártica, um domingo de manhã. Douglas Onça inaugurou o marcador aos 17 minutos do primeiro tempo; Serginho empatou para o Tricolor aos quatro minutos da segunda etapa. Público de 4.674, arbitragem de Hélio Cosso, que expulsou o zagueiro afeano Sabará. 
Ferroviária: Tião; Carlos, Sabará, Samuel e Luís Florêncio; Nandes, Paulo César e Douglas Onça; Bispo (Lavinho), Serginho e Cândido (Parraga).
São Paulo: Valdir Peres; Antenor, Jaime, Estevam e Chico Fraga; Chicão, Leivinha (Mug) e Dario Pereyra (Jaiminho); Edu, Serginho e Zé Sérgio.

OUTRO GRANDE RESULTADO: EMPATE COM O CORINTHIANS
    
Depois de dois jogos fora, a Ferroviária exibia-se na Fonte, contra o poderoso Corinthians. Com mais de 20 mil pessoas vendo o espetáculo, os grenás sustentaram o 0 a 0 e seguiram firmes na luta pela classificação, com nova atuação destacada de Douglas Onça.
João Leopoldo Ayeta apitou, tendo expulsado Serginho, da AFE, aos oito minutos do segundo tempo, e a renda foi de Cr$ 986.040,00.
A Ferroviária jogou assim: Tião; Paulão, Carlos, Samuel e Luís Florêncio; Nandes, Douglas Onça e Paulo César; Serginho, Parraga e Galdino.
O Corinthians teve esta constituição: Jairo; Zé Maria, Amaral, Zé Eduardo e Valdimir; Basílio, Sócrates e Palhinha (Biro-Biro; Vaguinho (Piter), Geraldo e Romeu.

UM JOGO EMOCIONANTE E VITÓRIA DE VIRADA, NOS ÚLTIMOS INSTANTES
        
Um dos mais empolgantes jogos aconteceu então, na Fonte, dia 18.11.1979.  O América de Rio Preto realizou uma partida muito boa, tomou um gol, empatou e passou à frente aos 31 minutos do segundo tempo. A partir daí, o encontro ganhou muito em dramaticidade. Empurrada pela sua torcida, a Ferroviária partiu com tudo e com dois gols de Galdino, aos 38 e aos 43 minutos, virou para 3 a 2, seguindo na briga pela classificação.
Douglas Onça voltou a jogar bem, num início de carreira que pôs à prova o seu equilíbrio e a sua categoria.
O América teve dois jogadores expulsos. Mesmo assim exigiu o máximo dos afeanos.
Emídio Marques de Mesquita apitou e mais de 6.000 pessoas viram o jogo.
Formou a Ferroviária com: Tião; Carlos, Sabará, Samuel e Luís Florêncio; Nandes, Douglas Onça e Paulo César; Bispo (Toninho), Parraga e Galdino.
O valente América jogou assim: Luís Fernando; Luís Vieira, Mauro, Jorge Lima e Berto; Gérson, Andreotti, Cléo e Serginho (Paulo Luciano); Marinho, Luís Fernando Gaúcho e Cândido (Arlem).

JOGO DECISIVO CONTRA O BOTAFOGO
         
A Ferroviária decidiu a sua sorte no Paulistão de 1979 em Araraquara, contra o Botafogo. A vitória a levaria às semifinais do campeonato. Abriu 1 a 0 aos 11 minutos, através de Paulo César. Mas permitiu a reação do Tricolor de Ribeirão Preto, que empatou ainda no primeiro tempo, com Miro aos 38. 
Mesmo tendo todo o segundo tempo para desempatar, a Locomotiva não logrou êxito, mas saiu do campeonato com uma campanha bastante elogiada e passando a ter um elenco mais valorizado. Douglas Onça marcou seu primeiro ano de profissionalismo com esse clima de decisão em um certame importante e selou sua condição de atleta de nível.
   
A ficha técnica dessa partida, que marcou o encerramento das atividades do elenco afeano em 1979:
Jogo – Ferroviária 1 x 1 Botafogo 
Data – 21.11.1979, quarta-feira (noite)
Local – Fonte Luminosa
Finalidade – Campeonato Paulista, Semifinais/Segunda Fase
Árbitro – Roberto Nunes Morgado 
Renda – Cr$ 443.470,00
Público – 9.341 pagantes 
Gols – Paulo César (Ferroviária), 11’/1 e Miro (Botafogo), 38’/1º 
Ferroviária – Tião; Paulão, Vica, Samuel e Carlos; Nandes, Douglas Onça e Paulo César; Bispo (Toninho), Parraga (Serginho) e Galdino.
Botafogo – Altevir; Wilson Campos, Nei, Edson e Beto; Miro, Osmarzinho e Zé Cláudio (Caetano); Paulo César, Osni e Zito (Silvinho). 

DOUGLAS ONÇA EM 1979
    
O meia araraquarense realizou os seus primeiros nove jogos como profissional, defendendo o time da Ferroviária de Araraquara no Campeonato Paulista. Marcou quatro gols e ajudou substancialmente na boa campanha desenvolvida pelos grenás. Foi o terceiro colocado na artilharia afeana, atrás de Galdino (11) e Parraga (6).
Participou de quatro vitórias, três empates e duas derrotas. E abriu um horizonte amplo para sequenciar de modo vitorioso a sua carreira de futebolista de apurada técnica. O tempo se incumbiria de mostrar que aquele começo promissor não seria efêmero, mas indicativo de nascimento de um astro. 



Fonte:
Acervo de “Ferroviária em Campo”
Fotos gentilmente cedidas por Douglas Onça

Pesquisa, elaboração e edição:
Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

Um comentário:

  1. eu tive a alegria de acompanhar o Douglas desde os tempos do Palmeirinha - só sucesso - até hoje - principalmente como cidadão cumpridor de suas obrigações...

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