terça-feira, 9 de maio de 2017

GOLS INESQUECÍVEIS DE DOUGLAS ONÇA



Nome: Douglas Lima Onça
Nascimento: 31.07.1957
Cidade: Araraquara (SP)
Posição: meia 



"Ferroviária em Campo" gostaria de saber quais são os jogos que você destacaria em sua carreira como aqueles que mais marcaram, que você relembra sempre com grande emoção. 

“Sem dúvida nenhuma o de maior valor foi em 11 de Novembro de 1979 no Parque Antártica. Jogo de manhã e jogar contra Valdir Peres, Chicão, Dario Pereyra e principalmente Edu Bala e meu eterno ídolo LEIVINHA...mas a importância é total por conta de ser o dia em que nasceu meu primeiro sobrinho, o Tiago Pichonelli, filho da minha irmã Dagmar e do José Antonio, sem dizer que pra completar esse presente de Deus eu fiz o gol mais bonito na minha carreira como atleta profissional.”
    
(São Paulo 1 x 1 Ferroviária, dia 11.11.1979, no Parque Antártica, pelo Campeonato Paulista, Semifinais da Segunda Fase. O gol de Douglas Onça aconteceu aos 17 minutos do primeiro tempo.)

“24/10/79, segundo jogo meu no profissional da Ferrinha, na Fonte contra o Velo Clube. Viramos o jogo e vencemos por 2 a 1, fiz os dois gols, o primeiro de falta, na gaveta. Foi um golaço e não esqueço a visão de meu pai Oswaldo, todo orgulhoso.”
    
(Ferroviária 2 x 1 Velo Clube, dia 24.10.1979, na Fonte Luminosa, pelo Campeonato Paulista. Os gols de Douglas Onça foram aos 17 e aos 37 minutos do segundo tempo.) 

“7/11/1979, Moisés Lucarelli em Campinas contra a Ponte Preta, vencemos por 1 a 0 e fiz o gol, não acreditava, eu fazendo gol no Carlos e no time que tinha Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá? Além de Edson, Juninho e Odirlei, etc. ... Foi um belo gol também dentro da meia-lua da grande área. Eu coloquei no cantinho, acho que o Carlos não esperava que eu chutaria dali.”
   
(Ponte Preta 0 x 1 Ferroviária, dia 07.11.1979, em Campinas, pelo Campeonato Paulista, Semifinais da Segunda Fase. O gol de Douglas Onça se deu aos 23 minutos do primeiro tempo.)

“1980 na Taça de Prata, contra o Bangu aqui na Fonte, fiz dois gols e vencemos por 2 a 1. Um foi de cabeça entre os zagueiros e um deles era o Moisés, o Xerifão.”
     
(Ferroviária 2 x 1 Bangu, dia 24.02.1980, na Fonte, pela Taça de Prata. Gols de Douglas Onça marcados aos 24 minutos do primeiro tempo e aos 12 minutos do segundo.)

“Jogo em Belo Horizonte, no Mineirão contra o América, vencemos por 2 a 0. Fiz o segundo gol no finalzinho. Foi um gol parecido com o que fiz contra a Ponte Preta.”
   
(América-MG 0 x 2 Ferroviária, dia 13.04.1980, no Mineirão, pela Taça de Prata. Gol de Douglas Onça assinalado aos 45 minutos do segundo período.)

“18 de Janeiro de 81, na Fonte contra o Palmeiras, empatamos 1 a 1 e fiz o gol, mas foi um jogo em que me senti muito importante, porque tinham subido para o profissional, Vica, Divino, Zé Rubens, Claudinho e o Sidnei... se não me engano, Hermínio e Gallo, atletas com os quais formamos uma família até os dias de hoje, com mais um monte que veio depois.”
    
(Ferroviária 1 x 1 Palmeiras, dia 18.01.1981, na Fonte Luminosa, pela Taça de Prata. O gol de Douglas Onça aconteceu aos 11 minutos do segundo tempo.) 

Ferroviária 1 x 1 Palmeiras

Você sempre foi um jogador eminentemente técnico. Mas como pode acontecer algum gol "acidental", "por acaso", "de canela", "de barriga", etc., etc., eu lhe pergunto: Você se lembra de ter feito gols de pé esquerdo, de pé direito, de cabeça, cobrando falta, cobrando pênalti... teria mais alguma forma ou mais alguma parte do corpo empregada para dar o toque final?
    
“Fiz um contra o Guarani na fonte em amistoso. O Toninho finalizou dentro da pequena área e, como aprendi com o mestre Bazani, já fui conferir o gol, mas o goleiro abafou e a bola espirrou e bateu na minha barriga e entrou.
Fiz gols de pé esquerdo, sim, contra o Bangu, Noroeste, Velo Clube... e mais alguns.
Pênalti, fiz contra o São Paulo, porém não me lembro. Foram poucos porque eu não gostava de bater pênalti. Não porque tivesse medo de errar e sim porque não acho graça em fazer gol de pênalti (como dizia meu saudoso Pai).
De falta, fiz contra o Palmeiras, Velo Clube, Santos, Botafogo de Ribeirão Preto, São José.”

AFE x Guarani - Gol de Barriga


Até agora você não citou o gol contra o Grêmio e nenhum dos três daquele jogo contra o São Paulo. Eles não estão entre os que mais marcaram em você?
    
“Grêmio e os três contra o São Paulo não citei ainda porque achei que gostariam de alguns sem serem esses que se falam constantemente. Mas foram muito bonitos também.”

Uma assistência sempre lembrada
   
“Teve um amistoso que fizemos em Jales e vencemos por 1 a 0, fiz o passe pro gol do Caíco que estava subindo naquele jogo se não me engano e ele comenta até hoje desse gol citando meu passe...”



Uma passagem com o Sócrates
    
“28/11/82 – Pacaembu, contra o Coríntians, perdemos por 3 a 1. Nosso treinador Diede Lameiro me chamou e disse que eu seria o melhor jogador da AFE; minha missão era marcar o Zenon e se ele fosse pro vestiário era para ir junto. Começou o jogo, me desculpei com o Zenon e ele foi gentil... não se incomodou. Aí vi a diferença de um jogador inteligente... Tiro de meta para eles, estádio lotado, o time todo no nosso campo, ele ia na linha de fundo buscar a bola e eu acompanhei umas três vezes. Ele recebia do Carlos e botava a bola no pé de quem ele queria, no nosso campo. Pensei comigo: Caramba, um craque desse eu não vou deixar jogar? Vai jogar, sim, e eu também. Fui um dos melhores do nosso time, chutei bola na trave, etc. E a história seria longa, desse jogo, mas ficamos por aqui...” 

Os três gols contra o São Paulo
   
“O jogo contra o São Paulo em que fiz os três gols foi demais, poderíamos estar perdendo por goleada nos primeiros 20 minutos; eles fizeram 1 a 0 e aí vou falar que graças ao Mestre Bazani (que sempre falou que nós, jogadores, tínhamos que desobedecer o treinador, às vezes), mudei o jogo, falei pro Sidnei e o Evaldo inverterem a marcação que faziam no Renato e no Pita. Aí fiz os três gols, sendo o terceiro o mais bonito, por cobertura, de fora da área. O São Paulo era uma Seleção: Oscar, Dario Pereyra (primeiro gol de cabeça, Pita, Renato, Careca, Casagrande, etc...)”
    
(Ferroviária 3 x 1 São Paulo, dia 20.10.1984, na Fonte Luminosa, pelo Campeonato Paulista. A Ferroviária virou o jogo com três gols de Douglas Onça, aos 35’ e 39’ do primeiro tempo e aos 50’ do segundo.)

Ferroviária 3 x 1 São Paulo

O famoso jogo contra o Grêmio, pela Taça de Ouro de 1983...
    
“Jogo do Grêmio acho que foi castigo para a torcida e a imprensa gremistas. Falaram que o Grêmio ia treinar contra a gente para ser campeão da Libertadores e do Mundo, como foram mesmo... Vi o jornalista mandando ver se tinha no mapa Araraquara. Hoje falo que eles sabem muito bem onde é Araraquara, no mapa. O jogo foi difícil pra caramba e em dois contra-ataques fizemos 2 a 0. Acho o primeiro gol muito mais bonito do que o terceiro. A jogada foi muito bem trabalhada, saímos trocando passes e eles não conseguiram chegar perto da gente, de tamanha precisão, e terminando com a finalização do Bozó, de pé direito, caindo sentado, pois era canhoto.... O meu gol... quando vi que tinha o campo todo pra carregar olhei pro gol e vi o Remi saindo ao meu encontro, só caprichei pra não errar a direção e encobri ele, deu certo e todo mundo fala dele até hoje.” 
    
(Grêmio-RS 1 x 3 Ferroviária, dia 30.04.1983, no estádio Olímpico, pela Taça de Ouro. O gol de Douglas Onça aconteceu aos 46 minutos do segundo tempo.)

AFE x Grêmio

Sobre o jogo e sobre a briga no final dessa batalha no Sul do país:
    
“Eles tinham um timaço e eram mais fortes física e tecnicamente. Mas nós tivemos um valor grande porque jogamos por uma camisa e uma cidade, com muito amor. Jogamos sem o Marcão que era um jogador-chave no nosso esquema.
A briga foi por bobeira, só no final do jogo que o Pinheirense foi defender o Bozó e se deu mal. Um torcedor veio de frente para o Bozó como se fosse cumprimentá-lo e deu um soco nele.
O Pinheirense viu e saiu correndo atrás dele e deu naquilo que a gente vê no vídeo. A maioria de nós já estava nos vestiários e nem vimos...”

Douglas Onça menciona mais dois jogos:
    
“O primeiro é contra o Comercial de Ribeirão Preto...
(Foi no dia 12 de setembro de 1982, na Fonte Luminosa, pelo Campeonato Paulista. A Ferroviária ganhou por 2 a 0, tentos de autoria de Douglas Onça, aos 8 e 12 minutos do segundo tempo, em jogadas criadas por Marcão e concluídas pelo meia afeano. Marcão entrou no segundo tempo e inverteu as funções: ele, ‘matador’, fez assistência, e Douglas, mais de assistência, foi servido e não perdoou: MARCOU dois!) 

AFE X Comercial

“E um contra o América de Rio Preto que vencemos por 3 a 2. Virada nos últimos minutos. Foi um jogão, saímos perdendo de 1 a 0. Só empatamos no segundo tempo e tomamos o segundo logo em seguida. A torcida foi o nosso décimo segundo jogador, porque logo que sofremos o segundo gol começaram a gritar AFE, AFE, AFE. (ESTOU ARREPIADO SÓ DE CONTAR E LEMBRAR).  Com muita luta, empatamos e fizemos o terceiro.”
    
(Ferroviária 3 x 2 América (SP), dia 18.11.1979, na Fonte Luminosa, pelas Semifinais do Segundo Turno do Paulistão. Foi uma partida muito emocionante, cheia de alternâncias e jogadas de conclusão. O América exigiu demais da Ferroviária, que reagiu estupendamente, empurrada pela sua vibrante torcida. Estávamos lá!)

Observação final do craque de sempre, Douglas Lima Onça, na despedida:
   
“O que gostaria que soubessem é que me sinto orgulhoso de ter usado esse manto sagrado e considero que representei cada um dos torcedores AFEANOS e cada cidadão araraquarense.”



Fontes:
Entrevista com Douglas Lima Onça
Acervo de “Ferroviária em Campo”
Fotos cedidas por Douglas Onça

Elaboração e edição:
Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

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