terça-feira, 11 de abril de 2017

DUDU FOI, ALENCAR VEIO...




Dudu
Quando Olegário Toloi de Oliveira, o DUDU, foi negociado com a Sociedade Esportiva Palmeiras, entre as condições estabelecidas pela Ferroviária de Araraquara estava a vinda do atacante ALENCAR... além de uma apreciável importância em dinheiro.
Essa condição se mostrou apropriada, pois desde o começo de sua presença no quadro afeano, Alencar desenvolveu um futebol marcado por apreciável número de gols.
Alencar
Dudu se tornaria ídolo no Palmeiras, formando com Ademir da Guia a maior dupla de meio-campo da história do clube.
O meia-direita Alencar mostraria na Ferroviária a sua condição de artilheiro nato, após ter passado por clubes como Ceará, Bahia e Palmeiras. No Campeonato Paulista de 1964, Alencar foi o artilheiro principal afeano, assinalando oito tentos. No ano seguinte, após o insucesso do time no Paulistão, que resultou na queda, Alencar deixou a Ferroviária. 
Clubes: Gentilândia (CE), América (CE), Ceará F.C., E.C. Bahia, Palmeiras, Ferroviária, Botafogo-RJ, Bangu-RJ, Botafogo-SP, Juventus e E.C. Bahia (onde encerrou a sua carreira, aos 31 anos de idade).
Alencar faleceu em 1990, vítima de hepatite. 

A torcida afeana deposita grande confiança no seu novo ídolo.
Alencar espera corresponder. Futebol e vontade não lhe faltam.


FERROVIÁRIA EM CAMPO”  transcreve a reportagem da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada sobre Alencar na Ferroviária, de autoria do Professor Antônio Jorge Moreira, setorista e historiador da agremiação araraquarense. A matéria foi publicada em 1964. 

Alencar teve bons momentos no Palmeiras.
 Ei-lo, buscando a pelota no fundo das redes, com o jabaquarense Del Pozzo bastante desolado

A GAZETA ESPORTIVA ILUSTRADA
VIDA NOVA PARA ALENCAR: “MORADA DO SOL”
(Texto de Antônio Jorge Moreira; fotos de Mário Takatsui)

Muitos torcedores palmeirenses torceram o nariz, quando surgiu a notícia da ida do meia Alencar para a Ferroviária. Acontece, porém, que se assim não acontecesse, também o médio Dudu não iria para o Parque Antártica. Alencar era a “chave” do negócio para o clube de Araraquara. Transformou-se, da noite para o dia, no novo ídolo da grei afeana, que estava sequiosa por ver um elemento de boas qualidades ao lado de Tales, no complemento da dupla de área da Ferroviária. Ela, agora, está formada. Deverá ser o terror de muitas defensivas. Goleador que era no E.C. Bahia, confirmando tal virtude no alvi-verde, Alencar poderá transformar-se no “homem-gol” do clube da Estrada, fazendo com que a torcida vibre a não mais poder. Nos primeiros compromissos, o ex-palmeirense já fez os seus tentos e, durante o certame da Especial, deverá balançar, por inúmeras vezes, o barbante contrário.

MÁGOA E FUTURO
A verdade é que Alencar não se cansa de dizer: tinha no Palmeiras alguns inimigos gratuitos e isto sempre lhe deixou aborrecido. É uma das grandes mágoas que guarda do futebol. Mas, por outro lado, não se esquece daquela memorável partida realizada em Santos, ante o clube de Pelé, em que o E.C. Bahia venceu por 3 a 2, marcando ele o tento da vitória nos derradeiros instantes do cotejo. O Bahia, então, sagrou-se campeão da “Taça Brasil”. Hoje, em Araraquara, pensa melhor no futuro da família. Já esteve num “grande”, conheceu várias partes do mundo, guardou algum dinheiro e agora espera juntar mais para consolidar de vez a posição dos três Dutras: Paulo Edilson (filho), Maria de Lourdes Mateus (esposa) e ele, Joaci Freitas Dutra.

GOLS MEMORÁVEIS 
O interessante é que o nome Alencar não está ligado em nada ao seu verdadeiro nome. Aconteceu o seguinte: o hoje Alencar famoso foi levado por um grande amigo, chamado Alencar, a treinar no Ceará F.C. Treinou, abafou, foi contratado e também apelidado pelos repórteres e torcedores. Contou-nos Alencar que o seu único contrato com o Palmeiras iria terminar no próximo dia 30 de junho. Portanto, não ficou nem dois anos no Palmeiras, mas muitos gols sensacionais saíram de seus pés, principalmente aqueles dois últimos em Montevidéu.

HISTÓRICO 
Maracanaú, Ceará, é a sua terra natal. Muitos pensavam que Alencar fosse baiano. Nasceu a primeiro de agosto de 1939. Completará, portanto, 25 anos. De altura, tem 1,67m, e seu peso normal é 63 quilos. Iniciou para o futebol no Gentilândia (Ceará), defendendo, ainda, os seguintes clubes: América (Ceará), Ceará F.C., E.C. Bahia e Palmeiras da Capital bandeirante. Em Araraquara, à Avenida Djalma Dutra, 481, os torcedores encontram a nova residência do bom cearense que veio servir a equipe principal da Ferroviária e que, por certo, será bem sucedido, pois trata-se de um futebolista que possui alto grau de responsabilidade. 

Alencar, que já foi do Palmeiras, espera ser o mesmo goleador de sempre, na Ferroviária. Perfeitamente integrado na equipe da “morada do sol”, pretende incluir seu nome na galeria dos grandes atacantes que o esquadrão de Araraquara já revelou para o futebol brasileiro



GALERIA: OUTRAS FOTOS DE ALENCAR

O time do Ceará em 1958. Partindo da esquerda, em pé: Cláudio, Claudinho, Damasceno, Willian, Alexandre e Harry Carey. Agachados: Zézinho, Alencar, Dica, Ananias e Carneiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará.

Uma das formações do Bahia no final dos anos cinquenta. Em pé: Beto, Leone, Nadinho, Flávio, Vicente e Nenzinho. Agachados: Ari, Waldemar. Alencar, Léo e Marito. Crédito: acerj.com.br.

Crédito: revista do esporte número 791.


Crédito: revista do Esporte número 179 – Agosto de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 179 – Agosto de 1962.





Fontes:
A Gazeta Esportiva Ilustrada (Antônio Jorge Moreira)
Que fim levou (Milton Neves)
Acervo de “Ferroviária em Campo”
Fotos: Gazeta Esportiva Ilustrada; Revista do Esporte; Tardes de Pacaembu

Texto e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

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