sexta-feira, 17 de março de 2017

O CRAQUE DA FERROVIÁRIA QUE PAROU AOS 23 ANOS




Nome: Eleziel Natanael Placedes
Data de nascimento: 11 de fevereiro de 1954
Cidade natal: Araraquara-SP
Posição: ponta-direita
Apelido: Tatinho
Período na AFE: 1974 a 1977
Cartel: 94 jogos, 7 gols; 29 vitórias, 28 empates e 37 derrotas




FALA, TATINHO

“Comecei no Universal do finado Murtão (Crisnamurte Teixeira).
Joguei em seguida para o Comercial do bairro do Carmo.
Depois, pela Academia do Sporting Benfica Araraquara, melhor time que integrei, no amador. Tinha esta formação:
Tatalo; Rui, Hélio Primiano, Nardinho Cruz e Dorinha; Coca, Denis, Ivan e Tatinho; Baiano e Tite.
No banco tinha Paulão, Salame, Comida, Palhares, Beto, Liminha. Era um timaço. O presidente era o Alberto Nicodemo Senapeschi. Treinador, Pança.
Fui também pentacampeão amador pela Villares.
Campeão Regional: Nova Europa, Villares, Rincão, Usina da Serra.
Fui artilheiro da Copa Presidente Seul (Coreia do Sul), com 36 gols, pela Seleção Paulista (1977).
Fui também convocado pela Seleção Pré-Olímpica do Brasil (1977).” 


Ferroviaria de 1974 com - Capitão Milton, Lula, Carlos, Tonho, Sérgio Miranda, Laerte e Jurandir. Reinaldo, Edson Miranda, Coquinho, Palhares e Tatinho

Um craque que parou prematuramente

TATINHO foi um craque de bola que se deixou trair pelo seu temperamento forte, explosivo.

Jogava muito. Era um atacante veloz, tinha domínio de bola, finta desconcertante e finalização eficaz.

Fez sucesso jogando pela Seleção Paulista, em excursão ao exterior pelo Peru, Japão, Coreia do Sul, etc., em 1977. Marcou o impressionante total de 36 gols nesse giro internacional.

No mesmo ano, foi ainda convocado pela Seleção Brasileira Pré-Olímpica.

Com a Seleção Paulista, foi artilheiro, melhor jogador e campeão da Copa Presidente de Seul.

Ganhava muito pouco na Ferroviária. Segundo diz, Cr$ 200,00, enquanto companheiros da Seleção lhe contavam que ganhavam Cr$ 8.000,00.

Voltou da excursão e foi conversar com o Diretor de Futebol afeano, Sebastião Pedro Goulart. Este lhe disse que o clube lhe daria um reajuste de 40%. Tatinho perguntou:

- Quanto é isso?

Ao saber do valor do reajuste, Tatinho foi ríspido na resposta:

- Pode ficar pra vocês.

E se foi. O presidente da Ferroviária, em 1977, era Antônio Eugênio Nogueira da Gama. 

Tatinho resolveu parar aos 23 anos de idade quando já era uma realidade para o futebol, não mais uma promessa. 

Hoje, Tatinho reconhece que não pensava nas consequências e que faltou alguém que o orientasse.

Nós aduzimos: hoje, ele não teria parado, pois o atleta passou a ter o seu empresário, o seu agente. E ele teria a lei Pelé/lei Zico a protegê-lo. Antes, o jogador ficava à mercê do clube, que era detentor do passe.

A decisão de Tatinho, de parar no auge do seu futebol, resultou em perda para todos:

Ferroviária, ele próprio e o futebol se privaram de um atleta de elevado nível, de dribles estonteantes e poder de arremate.

Tatinho diz que o então presidente do São Bento, Alfredo Metidieri, quis contratá-lo depois de ouvir o jogador Gatãozinho, do São Bento, que era seu companheiro de quarto na excursão do selecionado paulista. O Fluminense-RJ quis levá-lo. Coritiba e outros clubes também mostraram interesse, mas, segundo Tatinho, a Ferroviária sempre pedia mais, não aceitando as propostas.

E assim se deu o fim triste e melancólico de um talento raro, de uma joia que não teve a necessária lapidação.

GALERIA DE FOTOS:















Informações prestadas pelo próprio Tatinho.
Fotos cedidas também pelo ex-atleta.

Elaboração e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali

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