quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

OMAR, UM DOS PRIMEIROS GOLEADORES DA HISTÓRIA DA FERROVIÁRIA





        “Ferroviária em Campo” abre espaço para relato do filho de OMAR, Ivan Albers.


OMAR, ponteiro direito, foi o segundo grande artilheiro na cronologia afeana. O primeiro foi Dirceu, atacante que marcou 15 gols no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, em 1951 (primeiro ano de atividades profissionais da AFE).




Em 1952, surgia Omar anotando 21 gols no mesmo Campeonato Paulista da Segundona. Seus tentos tiveram papel fundamental para a chegada da Ferroviária à decisão do certame, que aconteceu já em 1953, no dia 31 de maio, no Pacaembu, contra o Linense. Numa tarde muito chuvosa, na qual pontificaram Américo Murolo (marcando três gols) e o goleiro Inocêncio fechando a meta, o Elefante da Noroeste levou a melhor. Apesar disso, a campanha da Locomotiva foi muito boa, contribuindo em muito, para tanto, a eficiência de Omar como “matador”.


IVAN ALBERS RELATA CARREIRA DO PAI

“Ferroviária em Campo” tem a satisfação de apresentar um texto escrito pelo filho de Omar, Ivan Albers, que, solicitado, sintetizou os passos dados pelo seu pai na carreira futebolística.

“Omar Albers nasceu em Santa Cruz da Conceição (perto de Pirassununga) em 06 de março de 1930.

Estudou no colégio Ateneu Paulista em Campinas já em função de suas qualidades como jogador de futebol.

Depois jogou no time do Amparo Athletico Clube ainda na categoria Amador ou Juvenil.

Iniciou carreira profissional no time de São João da Boa Vista, Sociedade Esportiva Sanjoanense, time este que também contava em seu elenco com o Bellini (do São Paulo e Seleção Brasileira).

Nessa ocasião (1949) recebeu convite do Fluminense carioca.
Ao mesmo tempo recebeu convite da Ferroviária de Araraquara, que, em 1950 montava seu primeiro time.

A Ferroviária ofereceu ao Omar a possibilidade de continuar os estudos; Omar então aceitou a proposta e jogava na Ferroviária assim como estudava na Faculdade de Farmácia.

Ao encerrar sua carreira futebolística em 1954 voltou-se totalmente para as atividades como farmacêutico.

Faleceu em Araraquara em 14 de julho de 1976 decorrente de complicações cardiovasculares precocemente.”

 
Omar em seu primeiro time profissional: a Sociedade Esportiva Sanjoanense. Em pé: Bellini (no início da carreira), Ari, Isaac, Orestes, Paulinho, Dias, Gaiola, Zé Coco e Valdomiro. Agachados: Velau, Omar, Geraldo, Ubirajara, Haroldo, Zé Amaro e Roberto Natalino.

NÚMEROS DE OMAR NA FERROVIÁRIA

O acervo de “Ferroviária em Campo” acusa 84 jogos e 40 gols de Omar com a camisa grená. Mas é necessário colocar duas palavras junto com esses números: “pelo menos”. Porque esse acervo não dispõe de todos os dados de alguns amistosos da Ferroviária, inclusive da excursão feita pela Ferroviária ao Paraná, na primeira vez que o time araraquarense se apresentou fora do estado de São Paulo. Certamente Omar anotou mais alguns tentos e realizou alguns outros amistosos em defesa da AFE.

Em relação a jogos oficiais de competição, podemos afirmar que o habilidoso atacante marcou 23 gols, sendo 21 no Campeonato Paulista de 1952 e 2 no certame de 1953 (quando então a referência como homem-gol do time passaria a ser Tec, autor de 17 tentos).




TRÊS GOLS NO PRIMEIRO JOGO COMO TITULAR

Omar fez sua estreia como titular do quadro afeano no dia 27 de janeiro de 1952, um domingo, na Fonte Luminosa. No amistoso contra um dos mais tradicionais rivais do time de Araraquara, o Botafogo de Ribeirão Preto, Omar assinalou três tentos, mostrando logo de saída a que vinha. Resultado do jogo: Ferroviária 6 x 3 Botafogo. Além dos três gols de Omar, Dirceu, Ministro e Lula (de pênalti) também marcaram. Formação da AFE: Julião (Sandro); Sarvas (Pimentel) e Espanador; Rudge (Pierri), Pierri (Basso) e Nonô; Omar (Lula), Ministro (Vicente), Elvo, Mimosinha e Dirceu. Técnico: Zezinho




NA DESPEDIDA DE OMAR, A PRIMEIRA APARIÇÃO DE BAZANI

Exatamente no dia em que Omar realizou o último jogo pela Ferroviária, entrou em campo pela primeira vez com o uniforme grená o mirassolense Olivério Bazani Filho. 
Não foi uma estreia definitiva, pois Rabi entrou durante o encontro, em substituição a Boquita. Mas serviu como marco: despedida de um artilheiro em potencial, Omar, começo de vida no clube da Estrada de um outro craque magnífico, Bazani.

Isso aconteceu no dia 18 de dezembro de 1954, no estádio da Fonte Luminosa, no amistoso: Ferroviária 3 x 0 Internacional de Limeira. Boquita (2) e Paulinho foram os marcadores dos gols da vitória do time da casa. Nesse adeus de Omar, a equipe grená alinhou:
Fia; Elcias e Ferraciolli; Dirceu (Antoninho) e Edson (Julião I); Paulinho, Lambari (Rodrigues), Cardoso (Lambari), Omar (Tarciso) e Boquita (Bazani). Técnico: Armando Renganeschi





Fontes:
Depoimento de Ivan Albers
Acervo de “Ferroviária em Campo”

Fotos: Gentilmente cedida por Ivan Albers (time da Sanjoanense; Museu da Ferroviária e O Imparcial.


Pesquisa, elaboração e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali

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