terça-feira, 8 de novembro de 2016

COMO O ARTILHEIRO LANCE TORNOU-SE TORCEDOR DA FERROVIÁRIA



Um relato interessante e divertido de um dos  grandes artilheiros da história da AFE, LANCE, sobre como passou a torcer para a agremiação de Araraquara... bem antes de se tornar seu atacante





Com a palavra, Luís Ernesto Lance:

“Lembro-me que, quando menino (mais ou menos 10 anos), em Casa Branca, meus vizinhos, Sr. Tavares e D. Guilhermina, tinham uma filha casada com um afeano.  Eles moravam na Vila Xavier, em Araraquara, e tinham dois filhos com nomes indígenas: Irapuã e o outro acho que era Ipojucã; o segundo, não tenho certeza.

Mas o fato é que o genro da D. Guilhermina era um afeano fanático, e quando ia a Casa Branca e a Ferroviária jogava à noite, sintonizava a rádio Cultura de Araraquara e colocava o som do rádio tão alto, mas tão alto, que de nossa casa ouvíamos perfeitamente as transmissões esportivas... e nomes como Dudu, Dirceu, Bazani, Antoninho, Porunga, Fia, Rosan, Cardarelli, Cardoso me eram comuns... e já nessa época comecei a torcer pela Ferroviária.


Interessante é que meu pai reclamava da altura do som do rádio do afeano, dizendo: ‘Pô, que altura de rádio! Quer ouvir o jogo, que ouça sozinho... não faça eu ouvir também.’

Eu não reclamava, até gostava, pois era apaixonado por futebol.

O tempo passou, e quando fui jogar na Ferroviária, já tínhamos perdido o contato com os pais do Irapuã e com a família toda deles. E minha mãe me contou que o meu pai passou a fazer a mesma coisa que o pai do Irapuã, o afeano roxo: sintonizava a rádio Cultura de Araraquara na hora do jogo e fazia o quarteirão inteiro ouvir o jogo da Ferroviária.

Gostaria muito de encontrar esse senhor, que era o pai do Irapuã, que certamente não sabe a influência que teve de eu, mesmo muito pequeno, me simpatizar pela Ferroviária graças aos seus exageros de som na hora de ouvir os jogos da AFE.”



Fonte: Depoimento de Luís Ernesto Lance para “Ferroviária em Campo”.
Fotos: Lance


Elaboração, transcrição e edição de: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

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