sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

FOGUEIRA


Notícias Grenás foi uma publicação mensal que divulgou as atividades da Ferroviária. Tinha como Redator-Responsável, Alceu de Almeida Santos, um nome de notável credibilidade.

Na edição Nº 2, de maio de 1968,  referido mensário fez publicar, à página 5, um artigo sobre o então jovem atleta afeano Fogueira.

Você, torcedor da Ferroviária, tem agora a oportunidade de conhecer uma interessante descrição do grande valor do time de Araraquara.


É um simpático bom amigo. Casou-se há pouco tempo. O moço de cabelos de fogo, é do futebol, pois desde os cinco anos que chuta bola, e até fazia “gazeta” para ir às peladas. Já praticou o futebol de salão, onde foi “bamba”, e hoje é um bom moço, até um “santinho”, pois sempre foi um garoto briguento. Defendendo a Ferroviária ele briga pela vitória do seu time. Briga com brio e valentia, mas sem maldade. Sempre leal. Suando a camisa. Em 1959 tornou-se profissional no futebol e seu primeiro ordenado, 4 cruzeiros novos, jogando no América, de S. J. do R. Preto, como lateral direito. Todo jogador tem lá um dia em que comete uma pixotada. Fogueira tem como sua pixotada, no seu entender, chutar aquele pênalti fora, no jogo com o Comercial, em Rib. Preto. Achamos nós que não. Fogueira diz que será sua maior emoção (além daquela a ser papai), tornar-se campeão e pela Ferroviária, e já teve outras, como aquela de ser campeão da 1ª Divisão e, a seguir, do Interior. Gosta de caçar e pescar, mas, para nós, sua pescaria hoje deve se reduzir a uma pescaria no... Mercado. Ainda de futebol, teve em Pepe, do Santos, o homem que mais trabalho lhe deu. Quando deixar o futebol, e vai demorar, pretende se estabelecer no comércio, mas prefere falar no jogo do ano, em Araraquara, Napoli x AFE e, sem pestanejar, dá o seu palpite, dois a zero para o seu time. Admira todos os jogadores que jogam e deixam jogar, com futebol leal, mas destaca Dias (apesar de suas diatribes destes últimos jogos), Pelé, Pepe, Mauro, Ferrari e Dudu, e dentro do campo diz que nunca teve “inimigos”; nunca bateu faltas, de bicuda. Em casa, onde é muito feliz, perca ou ganhe o jogo, sempre é recebido com sorriso que é confortante ou de satisfação. E tem mais, é o “Delfim Neto” das finanças domésticas! Este moço, é Wanderlei Nonato, o Fogueira, um valente na defesa da Ferroviária.


O Fogueira arriscou 2 a 0 contra o Napoli, da Itália, e foi modesto, pois a Ferroviária goleou os vice-campeões italianos por 4 a 0!

E o que ele falou em 1968, cumpriu totalmente: deixou o futebol e se estabeleceu no comércio, onde até hoje mantém uma concorrida ótica em pleno centro da cidade de Araraquara.

Fogueira foi um exemplo de profissional e está sempre em evidência nos meios esportivos, pela sua presteza em atender às inúmeras solicitações de amigos que soube fazer ao longo de sua carreira. Durante muitos anos, Fogueira foi comentarista esportivo em emissoras de rádio, dissecando as partidas com muita propriedade.

Lembrando que Fogueira, além da Ferroviária, defendeu outros clubes de muita força e tradição, como o América, de São José do Rio Preto, o Corinthians e a Portuguesa de Desportos.

Os parabéns de “Ferroviária em Campo” a esse grande futebolista, um dos maiores laterais que já vestiram a famosa camiseta grená da Ferroviária de Araraquara.



Fonte:

Notícias Grenás Nº 2, maio de 1968 (gentilmente cedido a Ferroviária em Campo por Paulo Celso Biasioli, afeano juramentado residindo atualmente na cidade de Limeira, a quem apresentamos os nossos mais sinceros agradecimentos)
Fotos: Notícias Grenás / Sala R. Paschoal da Rocha


Elaboração e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

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