terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O SUCESSO DE PEIXINHO NA FERROVIÁRIA


(UMA ENTREVISTA DO CRAQUE À REVISTA DO ESPORTE)




PEIXINHO E 11 MILHÕES VIERAM PARA A FERROVIÁRIA EM TROCA DE FAUSTINO E PIMENTEL. PEIXINHO DEU-SE MELHOR NA FERROVIÁRIA DO QUE FAUSTINO E PIMENTEL NO SÃO PAULO. FOI EM 1961.


Na maior transação da época, o São Paulo levou as revelações grenás – Faustino e Pimentel – cedendo Peixinho e desembolsando uma vultosa importância (11 milhões de cruzeiros). E os deuses do futebol propiciariam uma grande surpresa, vez que Peixinho, vindo de contrapeso, teria participação brilhante na Locomotiva, enquanto o mesmo não se daria com os ex-afeanos no tricolor. Aliás, a Ferroviária primava por revelar muitos craques e fazer vantajosas transações.


A REVISTA DO ESPORTE Nº 144 entrevistou Peixinho nos vestiários do Parque São Jorge, instantes antes do jogo Corinthians 1 x 2 Ferroviária, no dia 29 de outubro de 1961. Os gols afeanos foram marcados pelo entrevistado.





FERROVIÁRIA EM CAMPO  reproduz aqui o texto integral da entrevista que a REVISTA DO ESPORTE publicou:


CRAQUE VENDIDO COMO CONTRAPESO VIROU ARTILHEIRO EM SÃO PAULO

Momentos antes de entrar em campo para enfrentar ao Corinthians, Peixinho, ponta-direita revelado pelo São Paulo e que atualmente defende a Ferroviária de Araraquara, onde é um dos ídolos da torcida falou à R.E. No meio de tantos preparativos, sob as vistas do técnico Agnelli, fizemos a primeira pergunta: 


- Está satisfeito na Ferroviária, Peixinho?

- Sim. No São Paulo nunca tive sorte e jamais fui considerado titular absoluto da posição. Por esta razão, quando o São Paulo interessou-se por Faustino e Pimentel, fui oferecido ao clube de Araraquara e mais a importância de 11 milhões de cruzeiros em troca daqueles dois elementos. Consultado, não tive dúvidas em aceitar, pois sabia que, além de receber 800 mil cruzeiros, teria maiores e melhores oportunidades. Foi o que realmente aconteceu. Dei sorte na Ferroviária e aqui vou lutando e marcando meus golzinhos...


- Antes de ir para a Ferroviária, falou-se que o Corinthians estava interessado por você. É verdade?

- De fato, diretores corintianos chegaram a solicitar ao São Paulo preço para a compra do meu passe. Não fui diretamente procurado por ninguém, só sabendo que houve realmente esse interesse por intermédio da diretoria são-paulina. Depois que me transferi para a Ferroviária, houve uma proposta concreta de diretores do Corinthians para a aquisição de meu passe. Ofereceram 3 milhões de cruzeiros em dinheiro e mais o passe do arqueiro Aldo em definitivo, além do empréstimo do ponteiro Bataglia. A diretoria da Ferroviária não aceitou.


- Você guarda alguma mágoa do São Paulo, Peixinho?

- Em absoluto. É um grande clube e seus diretores desdobram-se em oferecer todo o conforto aos jogadores. Se fui oferecido de contrapeso num negócio, também tive minha compensação. O futebol está cheio de casos dessa natureza. Só lhes digo o seguinte: gosto imensamente de jogar contra o São Paulo e quando o venço sinto uma alegria que me faz esquecer qualquer queixa que possa ter do futebol.


- Peixinho, você gostaria de atuar em outra posição que não fosse a ponta-direita?

- Iniciei minha carreira jogando como meia-direita avançado. No São Paulo, por força de circunstâncias, fui deslocado para a ponta. Meu objetivo é marcar gols, não importando em que posição atue. Mas. Se me fosse dado escolher, atuaria sempre na meia-direita.


Nesse instante, o técnico Agnelli ordenava aos seus comandados que se preparassem para entrar em campo. Fizemos, então, a derradeira pergunta:

- Você gostaria de atuar no Rio? Em que clube?

- Sou profissional e toda boa proposta seria estudada com carinho. Acredito que acertaria jogando no Rio, pois o futebol carioca é mais parado e mais fácil de ser jogado. O clube que gostaria de defender é o Vasco da Gama, onde sei que todo jogador é bem tratado e a sua imensa torcida é bem vibrante.


Estas foram as palavras finais de Peixinho, pronunciadas já dentro do gramado do Parque São Jorge, onde a Ferroviária venceu ao Corinthians, tendo o ex-são-paulino atuado muito bem, sendo inclusive autor dos dois tentos que decretaram a derrota do clube mosqueteiro. 





Fontes:

Revista do Esporte nº 144, de 1961 (reportagem com Peixinho cedida por José Renato Sátiro Santiago, escritor e articulista da revista Placar)

Ferroviária em Campo – Breviário Grená, livro de autoria de Vicente Henrique Baroffaldi, editado pela Pontes em 2014.


Transcrição e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali 

Um comentário:

  1. Foi para mim um dos maiores jogadores que vi jogar e imaginem que a época em que ele atuou tinha jogadores como Garrincha, Julinho Botelho e outros consagrados craques em sua posição. o Peixinho marcou como grande ponteiro e artilheiro nato.!!!

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