segunda-feira, 25 de maio de 2015

Futebol do passado - COMO O FLUMINENSE TENTOU EXPLICAR OS 5 A 1 QUE A FERROVIÁRIA LHE IMPÔS



Artilheiros da Ferroviária na partida.


No dia 16 de março de 1960, a Ferroviária recebeu o Fluminense, na Fonte Luminosa, e aplicou-lhe sonora goleada pela contagem de 5 a 1.

No livro “20 Jogos Eternos do Fluminense”, de Roberto Sander (Maquinária editora), encontramos à página 58 a tentativa de explicação por parte de alguns jogadores do Fluminense:

“O Fluminense começou a campanha (no Rio-São Paulo) de forma promissora. Venceu a Portuguesa, no Maracanã, e o Corinthians, no Pacaembu. O time tinha tudo para estar embalado para o jogo contra o São Paulo no Maracanã não fosse um pequeno acidente de percurso. Aproveitando a estada em São Paulo para enfrentar o Timão, o Fluminense acertara um amistoso no meio da semana com a Ferroviária de Araraquara. Resultado: sem Telê, Pinheiro e Valdo, machucados, o time foi muito mal e acabou goleado por 5 a 1.

Ao desembarcar no aeroporto Santos Dumont, num vôo da Vasp, os jogadores, embora chateados, minimizavam a hecatombe, lembrando que o importante seria o jogo com o São Paulo, próximo compromisso do time no Rio-São Paulo. O meio-campo Edmilson tentava explicar aos jornalistas o que havia acontecido:

'O time não quis nada. Se guardou. O Pinheiro fez muita falta. Ele é uma barreira. Toma e dá. Dá e não se encolhe. Sem Pinheiro a defesa fica meio zonza. Perdida. Não tem aquela assistência. Parece que toda a confiança nasce e morre nele. Não estivemos bem. Estivemos pra lá de mole em todos os setores. Quem se salvou foi o Castilho que pegou muito.'

Os jornalistas foram então ouvir o grande goleiro tricolor:

- Como sair desta?

- Ora, tentando vencer o São Paulo, como fizemos com o Corinthians.

- Derrota sem choro?

- Perdemos, ponto. Acabou-se a história.

- Logo de cinco, Carlos?

- A bola foi feita pra entrar. Frango pra engolir.

- Também nem tanto ao mar, nem tanto à terra, né?

- Depende. Tem dias assim – reconheceu Castilho, encerrando a conversa.

Foram então ouvir Pinheiro, tão elogiado por Edmilson. Curto e grosso, ele resumiu o que o time precisaria para voltar a vencer: 'Jogar com espírito de luta.'

Chegara domingo, dia 20 de janeiro. E mais do que a disposição pedida por Pinheiro, a torcida assistiria a um verdadeiro show que sintetizava a qualidade de um dos times tricolores mais competitivos de todos os tempos.  O Fluminense trituraria o São Paulo (7 a 2) com um futebol de alto nível.

Resumo da história: A Ferroviária aprontou pra cima do Fluminense, goleando-o implacavelmente, e quem “pagou o pato” foi o São Paulo, adversário seguinte do tricolor do Rio.


Para se ter uma noção do significado da goleada imposta pela Ferroviária, basta que se atente para os jogos do Fluminense que cercaram a sua acachapante derrota em Araraquara:

Dia 10.03.1960 – Fluminense 1 x 0 Portuguesa de Desportos – Torneio Rio-São Paulo

Dia 13.03.1960 – Corinthians 1 x 2 Fluminense – Torneio Rio-São Paulo

Dia 16.03.1960 – Ferroviária 5 x 1 Fluminense – Amistoso Interestadual

Dia 20.03.1960 – Fluminense 7 x 2 São Paulo – Torneio Rio-São Paulo


Curioso notar, ainda, que fomos encontrar uma goleada sofrida pelo Fluminense justamente num livro que trata de seus 20 Jogos Eternos. Os 5 a 1 da Ferroviária mexeram com os brios do time carioca, que entrou com tudo contra o São Paulo.



A FICHA DO JOGO

FERROVIÁRIA  5 X 1  FLUMINENSE

Data – 16 de março de 1960, quarta-feira (noite)
Local – Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)
Finalidade – Amistoso Interestadual
Árbitro – João Rodrigues
Renda – Cr$ 162.000,00
Gols da Ferroviária – Baiano (2), Faustino, Bazani e Dudu
Gol do Fluminense – Jair Francisco


Ferroviária

Rosan (Fia); 

Porunga (Cardarelli), Antoninho e Walter; Dirceu (Zé Maria) e Rodrigues; 

Amaral, Baiano (Palico), Bazani, Dudu e Faustino


Fluminense 

Castilho; 

Jair Marinho, Hércules e Altair; Edmilson (Jair Santana) e Clóvis; 

Maurinho (Almir), Paulinho, Wilson (Romeu), Jair Francisco e Escurinho (Maurinho)

Obs.: Maurinho, que entrou durante o jogo, na ponta-esquerda, era natural de Araraquara.



Fontes:
20 Jogos Eternos do Fluminense, de Roberto Sander, Maquinária editora
Acervo pessoal

Pesquisa, elaboração e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali

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