terça-feira, 28 de abril de 2015

QUASE SÓ FLORES



Milton Mendes (Técnico)
Antes de iniciado o Campeonato Paulista da Série A2, mais precisamente às vésperas dele, o técnico da Ferroviária, Milton Mendes, dizia que não seriam só flores... mas também espinhos. Ele preparava a torcida grená para as dificuldades que o time encontraria num certame arduamente disputado, contra adversários fortes.

E logo na estreia, em Catanduva, a comunidade afeana sentiu uma espécie de frustração com o melancólico empate por 0 a 0, quando o time quase perdeu para o fraco adversário, que teve um pênalti a seu favor. Felizmente, Rodolfo defendeu, começando a mostrar que seria um dos esteios da equipe.

A evolução do time não se processou num piscar de olhos. A partir da segunda rodada, a Ferroviária conseguiu três vitórias apertadas, sempre pela contagem de 2 a 1.

A derrota em Batatais, para o então lanterna da competição deixava os torcedores apreensivos. “Será que a história vai se repetir?  O time vai novamente decepcionar?”

Mas não. Os jogos subsequentes marcaram novos triunfos, sendo que o de Mirassol foi muito representativo porque o time jogou muito bem e derrubou um dos concorrentes à qualificação.

De repente, as vitórias magras foram substituídas por sucessos com vantagens maiores de gols. O time se entrosava e passava a jogar com mais confiança. Havia uma união que transparecia, assim como a liderança de um profissional exigente que se impunha no comando e demonstrava uma personalidade forte.

Os jogos foram acontecendo e os resultados positivos também. A Ferroviária passava a surpreender agradavelmente. Não era fogo de palha, era algo sustentável, consistente.

Embora houvesse sempre algum destaque maior em cada partida, o aspecto mais relevante do time era o conjunto afiado, o poder coletivo, sempre realçado pelo treinador. Ele invariavelmente afirmava: o individual ganha jogo, o coletivo ganha campeonato. E o seu pensamento correto vingou e contagiou o elenco.

Como resultado de um trabalho que se mostrou correto a partir da diretoria do clube, que agiu com planejamento e deu ao comando técnico dois meses e meio para preparar a equipe, as conquistas surgiram antes mesmo do tempo: duas rodadas antes da conclusão do campeonato, a Ferroviária já garantia o acesso e também o título de campeã.

Rodolfo
O penúltimo compromisso, em São Caetano do Sul, representava muitíssimo para o time da casa; para a Locomotiva, a tentativa de lutar por mais um recorde: o de maior número de pontos ganhos de todas as edições da A2. Muito maior o objetivo do Azulão, claro. Mas o que se viu foi uma Ferroviária, mesmo desfalcada de jogadores proeminentes, como Alan Mineiro, Danilo Sacramento e Alcides, seguir a sua sequência admirável de exibições irrepreensíveis, despontando a magnífica atuação do goleiro Rodolfo, embora a equipe toda mostrasse um futebol equilibrado, consciente, numa exibição que agradou inteiramente.

Muito além, mesmo, do esperado. Muito além da melhor das expectativas, antes de iniciada a competição. O coletivo imposto por Milton Mendes levantou o campeonato, garantiu o acesso, está a caminho do recorde de pontos ganhos e, acima de tudo, põe fim a um pesadelo recorrente que atazanou a torcida da Ferroviária ao longo dos últimos 19 anos.

Como diz o hino grená, o povo está feliz. Está muito feliz, às vésperas do último compromisso, que por sorte será na belíssima Arena Fonte Luminosa, sábado que vem. A taça de campeã vai ser erguida... a torcida fará uma festa grandiosa... e o espírito entusiasta de todos por certo alcançará o ano de 2016, quando o patamar será outro: a Arena passará a abrigar um dos 20 privilegiados times que integram a elite do futebol paulista.

Repetimos: Milton Mendes falou em flores e espinhos, mas estes foram muito poucos. As flores prevaleceram e embelezaram uma trajetória brilhante da agremiação futebolística de Araraquara.


Futebol Interior

A FICHA TÉCNICA DO 18º JOGO:

São Caetano 0 x 2 Ferroviária

Ednelson da Conceição
Data: 27 de abril de 2015, segunda-feira, 18h30
Local: Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul (SP)
Finalidade: Campeonato Paulista, Série A2
Árbitro: José Cláudio Rocha Filho
Renda: R$ 5.185,00
Público: 1.061 pagantes
Gols: Tiago Adan, 45’/1º e Sandoval (contra), 44’/2º
Expulsão: Sandoval (São Caetano), 47’/2º
São Caetano – Saulo; Arthur, Sandoval, Luiz Eduardo (Tiago Resende) e Bruno Recife (Clebinho); Eduardo Luiz, Neto, Esley e Xuxa; Diogo Acosta e Robson. Técnico: Luiz Carlos Martins
Ferroviária – Rodolfo; Paulo Henrique, Luan, Patrick (Neguete) e Roberto; Renan (Milton Júnior), Renato Xavier e Jairo; Elder Santana, Tiago Adan (Bruno Moraes) e Fio. Técnico: Ednelson da Conceição Silva
(Fonte da ficha técnica: futebolpaulista.com.br)




Texto e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali
Fotos: Ferroviária SA

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