quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"EM SUA SEGUNDA EDIÇÃO, LIVRO RESGATA HISTÓRIAS DA FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA" (MATÉRIA DE MATHEUS TRUNK PARA O SITE ÚLTIMA DIVISÃO)





ferro-header

Em segunda edição, livro resgata histórias da Ferroviária de Araraquara

Ferroviária em Campo - Breviário Grená
Capa da segunda edição do livro, lançado pela Editora Pontes

O jornalista e escritor Vicente Henrique Baroffaldi é um incansável pesquisador do futebol interiorano. Ele é autor da nova edição do livro Ferroviária em Campo- Breviário Grenápublicado recentemente pela Editora Pontes. A obra é a compilação de diversos fatos e curiosidades sobre a Associação Ferroviária de Esportes, um dos clubes mais tradicionais do interior paulista. “Incorporamos muitas informações nesta nova edição”, destaca Baroffaldi. O Última Divisão conversou com ele sobre o livro e sobre a atual situação da equipe afeana. “Falta melhor estrutura e competência dos responsáveis pela sua condução”, avalia o autor.
Última Divisão: Como surgiu a ideia de escrever uma segunda versão do Ferroviária em Campo?
Vicente Henrique Baroffaldi: A primeira versão aconteceu no final de 2010; em abril de 2011, já havíamos distribuído os 1.000 exemplares gratuitamente, dentro do plano de difundir a história afeana. A partir de então, passamos a ser indagados a respeito de uma nova edição. Preferimos demorar alguns anos para publicar uma nova versão, não só atualizada e revisada, como também ampliada. A primeira versão foi de 220 páginas; a atual, contém 310.
UD: Quais as novidades dessa segunda versão?
VHB: Incorporamos muitas informações a respeito da história da Ferroviária, como os artilheiros de todos os tempos e os maiores públicos que viram a AFE jogar. Demos também enfoque especial nos três melhores Paulistões do clube de Araraquara; e um capítulo especial que ocupa 50 páginas do livro, intitulado Acontecências, com muitas curiosidades. Por fim, fechamos a obra destacando o futebol feminino, com os dados técnicos dos jogos que resultaram na conquista da Copa do Brasil de 2014 pelas Guerreiras Grenás.
UD: O capítulo Acontecências está recheado com mais de 200 curiosidades da Ferroviária. Foram muitos anos para concluir essa parte da obra?
VHB: A pesquisa que resultou na elaboração do capítulo foi intensificada decisivamente nos dois últimos meses, graças à colaboração imprescindível de Paulo Luís Micali, amigo colaborador desde o nosso primeiro livro, que encampou a ideia de difusão do esporte, dando-nos respaldo para melhor desenvolvermos as nossas pesquisas e darmos a elas um “corpo” mais atraente.
UD: Algumas dessas curiosidades surpreenderam o senhor?
VHB: Sem dúvida nenhuma. Por mais que tenhamos acompanhado a história da Locomotiva, certos episódios causaram-nos grande surpresa, mostrando-nos a grandeza da agremiação araraquarense e o quanto a sua trajetória foi palmilhada por fatos enaltecedores e também por apreensões, dadas as vicissitudes que fazem parte da vida de qualquer entidade, associação ou mesmo pessoa.
Time forte da Ferroviária nos anos 1960
Time forte da Ferroviária nos anos 1960

UD: A rivalidade da Ferroviária com o Botafogo e o Comercial de Ribeirão Preto aparecem na obra?
VHB: Sim, os números são mostrados e os acontecimentos que se desenrolaram para que as rivalidades fossem recrudescidas através do tempo ocupam naturalmente um espaço apreciável, destacando-se a boa vantagem estatística da Ferroviária sobre o Botafogo. As conquistas importantes se dividiram entre ambas as agremiações, bastando lembrar que a AFE subiu para a principal divisão do futebol paulista em jogo de decisão contra o Botafogo, ganhando por contagem elástica, 6 a 3, em 1956. Por sua vez, o Pantera da Mogiana também alcançou o acesso pela última vez em jogo contra os grenás, fazendo a festa em plena Fonte Luminosa (no dia 3 de maio de 2008, o Fogão, mesmo perdendo de 4 a 1, sacramentou o seu retorno à divisão principal, pela combinação de resultados e pelo que já fizera durante o certame). Foi na Fonte Luminosa que os torcedores do tricolor de Ribeirão Preto comemoraram a volta, mantendo-se o Botafogo até hoje na elite do futebol paulista.  Já em relação ao Comercial, o equilíbrio é impressionante, havendo uma divisão bem equânime de vitórias e derrotas entre os litigantes que fazem o tradicional Come-Ferro. No Bota-Ferro, a Ferrinha leva nítida vantagem quanto se fala em números estatísticos. Aliás, o livro Ferroviária em Campo – Breviário Grená está coalhado de informações estatísticas.
UD: Quais são as principais dificuldades em se pesquisar a história da Ferroviária e do futebol do interior de São Paulo? 
VHB: Sabe-se que a casa do futebol paulista – a FPF –  foi vítima de incêndio, deixando os pesquisadores e historiadores com reais dificuldades para o desenvolvimento de seus trabalhos. Existem fontes que nos trazem muitas luzes, mas nenhuma delas é absoluta. Torna-se necessário garimpar por vários meios, intercambiando muito e desenvolvendo com isso um trabalho solidário entre os poucos que se dispõem a sustentá-lo, sempre movidos pela paixão pelo futebol. Mas o principal meio segue sendo o jornal local, embora também com restrições, visto que os registros muitas vezes são incompletos ou mesmo inexistentes, além da precariedade do estado de conservação do papel. A digitalização dos jornais ainda é muito parcial, e muito se perdeu até aqui. Felizmente, outros meios se somam, inclusive o de testemunhos. Enfim, trabalha-se com a certeza de que a plenitude não se alcança, mas o empenho pode fazer com que nos aproximemos dela. E afinal de contas, vivemos no mundo do relativo.
UD: Muitas histórias sobre o Bazzani são contadas? Ele é o maior jogador da história da Ferroviária?
VHB: Sim, o Bazzani é o craque grená mais citado na obra, até por uma imposição de seus feitos: jogador que mais vezes vestiu a gloriosa camisa do clube; que mais gols assinalou; que mais títulos conquistou; que maior polivalência desenvolveu dentro da associação, tendo sido jogador, técnico e funcionário. Em todas as atribuições, exibindo uma disposição admirável. Nunca uma homenagem foi tão merecida como a que é representada na entrada principal da Arena Fonte Luminosa, onde um busto de Bazzani é exposto e visualizado por todos os esportistas que chegam àquele moderno estádio.
UD: Atualmente, a Ferrinha disputa a Série A-2 e a Copa Paulista. O que falta pra equipe voltar a ser uma das grandes forças do nosso interior?
VHB: Melhor estrutura e competência dos responsáveis pela sua condução. A Ferroviária tornou-se um time nômade, itinerante, treinando cada dia em um local diferente, vivendo de favores de clubes e empresas da cidade e região. Lamentável essa constatação quando se trata de uma associação que foi detentora de um patrimônio invejável. É crucial que se defina de vez um local de referência para os treinamentos da base, do time de profissionais e do futebol feminino (que vem enchendo a cidade de orgulho com suas recentes e constantes conquistas). Dizem que dinheiro não falta; então, só pode estar faltando competência para quem é hoje responsável pelo departamento de futebol da Ferroviária. E também não se trata apenas de conseguir o retorno à elite do futebol, mas de estar preparada para a permanência na vitrine.

Link da matéria:

http://www.ultimadivisao.com.br/em-segunda-edicao-livro-resgata-historias-da-ferroviaria-de-araraquara/


Matheus Trunk

Jornalista e palmeirense. Teve passagens pela revista Transporte Mundial e pelos jornais Nippo-Brasil e Metro. Trabalha com assessoria de imprensa e é autor do livro O Coringa do Cinema (Giostri, 2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário