segunda-feira, 7 de abril de 2014

NA FERROVIÁRIA, QUEM MANDA É O “PRIMEIRO MINISTRO”



Em recente entrevista, o presidente da Ferroviária, Juninho, afirmou reiteradas vezes: “Quem coloca dinheiro é que manda.”
Juninho

E quem “coloca dinheiro” (ou investe) na Ferroviária? É a empresa gestora do futebol. Portanto, quem manda na Ferroviária? É o representante da empresa gestora, responsável pelo futebol do clube.

Então, conclui-se: a Ferroviária tem um presidente que não manda. Quem manda é o “primeiro ministro”.

Juninho citou alguns episódios nos quais tinha opinião contrária às decisões tomadas:
V. Tadei

- Na dispensa do treinador Vilson Tadei;

- Na contratação do Acleisson (o presidente chegou a dizer que não queria assinar o contrato desse jogador, que vinha de contusão);

- Na contratação de um jogador estrangeiro (Curiel), sem tempo para uma necessária adaptação;

Acleisson
- Na contratação de Schumacher, atleta fora de forma, ganhando “por partida” (incrível, não?); esse foi um risco assumido pela empresa.

Curiel
Juninho disse mais: que não lhe agrada o convênio atualmente em vigência com o Atlético Paranaense.

O interessante é que, na entrevista, o ainda presidente afeano vai citando fatos e também fazendo a ressalva: “houve consenso”. Mas que consenso mais forçado, hein!

Schumacher
A declaração de Juninho, mandatário que está deixando a presidência da Ferroviária, soa como uma tentativa de mostrar à opinião pública que... essas decisões não teriam acontecido se fosse ele quem mandasse, mas não é ele (ou quem está no cargo de presidente) quem “coloca dinheiro” no time, e, assim, não adianta nada ele ter posição contrária.

Atenção, futuro-próximo presidente da Ferroviária Futebol S.A.! Não é para mandar, não. Quem manda é a empresa gestora... Quem manda é o representante da empresa gestora, ou “primeiro ministro”.

A voz que fala mais alto e prevalece é a voz do investidor.

E estamos conversados.

(Um adendo, por questão de justiça: não é só na Ferroviária que isso acontece, muito pelo contrário. As empresas gestoras passaram a mandar não apenas nos clubes com os quais estão conveniadas, mas no futebol, de modo geral. Quem resiste a elas, preterindo-as, está fadado ao extermínio. São os tempos modernos do esporte que é paixão nacional.  O futebol está nas mãos dos empresários da bola. Aderir ou morrer, eis a questão.)



Vicente Henrique Baroffaldi




Edição: Paulo Luís Micali

4 comentários:

  1. é uma vergonha, fim do futebol do interior, principalmente dos times tradicionais, como nossa querida AFE.

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  2. Não é por acaso que Noroeste e América foram fazer companhia ao XV de Jaú e à Portuguesa Santista na 4a. Divisão. E os Red Bull e Audax da vida estão na primeira. $$$$$$$$$$$$$$

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  3. Eu sempre bato na mesma tecla aqui: Precisamos acabar de alguma forma com esse tipo de gestão no futebol. Não dá mais. Não trás resultados pois é "burra", ou seja, pensa com o bolso.

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  4. Que dinheiro??? Só se for no bolso de alguém porque um time desse nível daria para montar sem investimentos externos só com patrocínio mesmo, porque jogador que ganhar "por partida" nem na copa Kaiser, nem campeonato amador tem, então se for pra montar time com "atletas" desse nível não precisa de dinheiro nenhum, e ja esta mais que provado que essas parcerias não trazem nada de bom para os times, e muitas são feitas com intuito de lavagem de dinheiro, no final, o time que fez a parceria fica no prejuízo, quase falido.

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