quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CONTRA-ATAQUE (JOSÉ ROBERTO FERNANDES)

  

José Roberto Fernandes
 Com esse título, José Roberto Fernandes assinou uma coluna no JORNAL DA MANHÃ, publicada  no dia 03 de agosto de 1979, uma sexta-feira.
O renomado radialista e narrador esportivo foi Diretor Responsável do aludido jornal, de publicação diária e que circulou em Araraquara e região no final da década de 1970 e início da década de 1980.
Em três tópicos, a coluna do Zé Roberto mostrou primeiramente a sua opinião sobre o jogo Palmeiras 2 x 0 Ferroviária, pelo Paulistão/79; em seguida, a má fase do goleiro Tião e a conveniência de o técnico Sérgio Clérice promover o retorno de Sérgio Bergantin. Por último, o Zé comentou o falecimento, em 31 de julho de 1979, do primeiro técnico que a Ferroviária teve a dirigi-la, José da Silva, o Zezinho.
Em singela homenagem ao conceituado locutor esportivo, que tem uma enorme legião de fãs em Araraquara, vamos à integra do CONTRA-ATAQUE, de José Roberto Fernandes:
 
“UM RESULTADO NORMAL
Não há razão para provocar tanta bronca de alguns torcedores, a derrota sofrida quarta-feira pela Ferroviária, diante do Palmeiras por 2 a 0. Tenho para mim a impressão de que foi um resultado normal, sem maiores consequências. Claro está, que mesmo um empate seria ótimo para a AFE, possibilitando sua permanência na liderança do grupo, ao lado do São Paulo e da Ponte Preta. A derrota, entretanto, deve ser recebida com normalidade.
Afinal, o jogo foi no Parque Antarctica, contra um Palmeiras que é líder na soma geral dos pontos e que não podia perder quarta-feira, pois vinha de uma derrota em Ribeirão Preto. O que se espera, é que Sérgio Clérice tire proveito da lição recebida, corrigindo as falhas que impediram uma melhor produção da equipe.
O torcedor, como sempre, é exigente e não admite insucessos, principalmente quando o quadro está entre os primeiros na classificação. Em Araraquara, com relação à AFE, as coisas não poderiam ser diferentes. Apesar da derrota, entretanto, os números da campanha afeana continuam sendo francamente positivos: em 10 jogos disputados, três vitórias, duas derrotas e cinco empates. Dez gols a favor e seis contra. Parraga e Galdino continuam situados entre os principais artilheiros do Campeonato. O melhor é esquecer o Palmeiras e começar a pensar no XV de Piracicaba, que tem sido uma das piores equipes do Paulistão. Ainda assim, não tenho dúvidas, será um adversário perigoso, que merece todo respeito. Com apenas 3 pontos ganhos, o XV de Novembro do falante e controvertido Romeu Ítalo Rípoli, tem sido um verdadeiro ‘saco de pancadas’. Não ganhou uma sequer. Mas é bom que a Ferroviária se cuide, mesmo porque, a partida de domingo significará o confronto direto de duas equipes do mesmo grupo.
 
 A VEZ DE SÉRGIO?




Tião
Tive a oportunidade de ver ontem, pela televisão, os gols do Palmeiras contra a Ferroviária e confesso que, no segundo deles, não encontrei razões para sacrificar o goleiro Tião. Mas não há como negar que, em alguns outros lances, a presença do jogador foi comprometedora, trazendo, sem dúvida, intranquilidade aos demais jogadores da defesa.

Sérgio Bergantin
Talvez o Tião esteja precisando de um descanso, pois em jogos anteriores, mesmo com a AFE ganhando, houve reparos na sua atuação. Quem sabe está na hora de Sérgio Bergantin voltar, ele que vem realizando intensivos treinamentos e está apurado fisicamente.
Agora, se Sérgio voltar, Tião deverá ficar um bom tempo no ‘banco’. Aí está um problema para exigir de Sérgio Clérice a melhor das atenções.



JOSÉ DA SILVA, ZEZINHO
Zezinho
Vítima de complicações pulmonares, morreu no final da noite de terça-feira, na Santa Casa de São José do Rio Preto, onde estava internado há dias, o esportista José da Silva, 62 anos, primeiro técnico da Associação Ferroviária de Esportes e América de Rio Preto. Zezinho tinha uma banca de revistas na praça Rui Barbosa.
Ele treinou o América de 1946 a 49, a convite do fundador do clube, Antônio Pereira Lima. Antes, havia treinado o Guarani de Catanduva. Quando deixou o América, foi trazido para a Ferroviária.
Zezinho prestou serviços ao Rio Preto, São Paulo de Araçatuba, Penapolense, Olímpia, Fernandópolis, Tanabi e na Associação Desportiva Araraquara (ADA). Foi quem introduziu em vários clubes o sistema de concentração de jogadores.
Seu sepultamento ocorreu em Rio Preto, na tarde de quarta-feira.” 

Fonte:
Jornal da Manhã (Araraquara), dia 03 de agosto de 1979
Fotos:  Museu do Futebol e Esportes de Araraquara
Pesquisa e edição: Vicente Henrique Baroffaldi e Paulo Luís Micali

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