terça-feira, 15 de janeiro de 2013

QUANDO A FERROVIÁRIA FOI CAMPEÃ DO INTERIOR (1967)

LOURENÇO DIAFÉRIA
 
Quando a Associação Ferroviária de Esportes de Araraquara foi campeã do Interior, em 1967, LOURENÇO DIAFÉRIA, um dos mais destacados articulistas do jornal FOLHA DE S. PAULO, fez publicar um artigo (com o título de O TIME) no dia 21 de janeiro de 1968, saudando a AFE pela conquista do título. Transcrevemo-lo a seguir:
“Juro por Deus que, se eu tivesse de canonizar um time de futebol e colocá-lo inteirinho nos altares como exemplo de virtudes, escolheria a Ferroviária de Araraquara sem pestanejar. Começa que é um quadro simpático. A simpatia de um clube não tem nada a ver com a boa ou má aparência de seus jogadores. Aliás, é bom que se diga, jogador de futebol costuma ser feio como briga de foice: uma ou outra exceção pelos verdes gramados serve apenas para disfarçar. No geral, jogador de futebol tem mais cara de assombração que outra coisa. Está certo: um bom beque de espera só impõe respeito quando arma carranca. E ponta que dribla dando risada não presta. Acontece que jogador de futebol se transfigura. Na hora do gol, todo atacante vira o próprio arcanjo Gabriel e o mais enfezado goleiro, quando recolhe a bola no ângulo, é um autêntico querubim recoberto de luz e ouro. Ou seja: qualquer craque de futebol, por mais hediondo que seja, mesmo vestido de lobisomem, durante a partida, em toda ela ou em parte dela assume uma beleza de Apolo sem namorada. Fica pois, claro que quando digo que a Ferroviária é um time simpático, quero dizer que até Drácula pode usar seu uniforme de glória, que cinco minutos depois, todas as moças da cidade estão aplaudindo o rapaz. A Ferroviária tem o espírito da simpatia.
Um clube que usa a poesia de um estádio da Fonte Luminosa, um clube que cai e sabe se levantar sacudindo a poeira e os desgostos, um clube que ostenta uma dignidade que não se encontra em cada esquina nem da capital, nem do interior, esse clube tem tudo para se transformar em orgulho de uma cidade. Se eu fosse dono da praça Pedro de Toledo, nos feriados nacionais mandava hastear, ao lado do pavilhão brasileiro, a bandeira da Ferroviária.
Além de simpatia, a Ferroviária possui também a fortaleza dos times de bem, cultivando o futebol com carinho e serenidade. Para ela, o futebol não é um fim, é um meio. Um instrumento de afirmação, uma ferramenta de trabalho, pelo qual zela e do qual cuida. Fica, pois, em excelentes mãos (ou excelentes pés?) este troféu Folha de São Paulo.
Estamos, portanto, diante de um luminoso domingo, em que uma cidade em festa recebe o justo prêmio de seus esforços, mercê do trabalho inteligente da Ferroviária.
Certamente, até em Sé da Bandeira, no fim do mundo de Angola, há gente alegre com a conquista da Ferroviária.
Campeã do interior é um título que lhe cai otimamente.”
 
 
AFE recebendo as faixas  de campeã no jogo comemorativo contra o SPFC
 
 
(Nesse domingo aludido pelo Diaféria, a Ferroviária festejou a conquista do título de campeã do interior, recebendo o São Paulo F.C. na Fonte Luminosa e vencendo-o por 3 a 2.)
 
 
No dia 28 de janeiro de 1968, quando a Ferroviária comemorou a conquista do título de campeã do interior de 1967, recebendo na Fonte Luminosa o São Paulo FC. Antes do jogo, o presidente grená Aldo Comito cumprimenta a atriz de TV, Jacqueline Myrna, que em programa humorístico divulgava muito o nome da cidade, falando, em seu sotaque francês, Arrarraquarra. `A direita da bela Jacqueline, outro grande personagem da história afeana, Dr. José Welington Pinto.
 
 
 

Elaboração: Vicente Henrique Baroffaldi
Edição: Paulo Luís Micali
 
Fotos: Acervo Museu da Ferroviária


 
 

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