terça-feira, 7 de julho de 2020

CASTRO: EXEMPLO COMO ATLETA E PREPARADOR FÍSICO

Atendendo à solicitação de “Ferroviária em Campo”, o professor Francisco Castro enviou-nos um relato detalhado de sua carreira como atleta e preparador físico. Agradecemos pela gentileza do correto profissional, que escreveu sua história na Ferroviária, no Amadorismo da cidade e também no Rio Branco de Ibitinga. Além de desenvolver com competência suas funções como professor de educação física em estabelecimentos de ensino.

Resumo da história da minha participação no futebol como atleta e preparador físico da equipe gloriosa da Associação Ferroviária de Esportes

Antes, a minha iniciação no futebol:

Tudo começou no ano de 1961, num terreno baldio na rua Diógenes Muniz Barreto, esquina com a av. Professor Jorge Correia, próximo à praça de São Geraldo, onde em frente residiam os irmãos Martelli, que faziam parte da Congregação Mariana da Igreja de São Geraldo.

Depois, nesse terreno construíram algumas casas onde residiram Fernando Paolillo (zagueiro central) e Zé Luiz (meia-direita) que comigo fizeram parte da equipe da AFE.

 Nelson, um dos irmãos, resolveu montar uma equipe de futebol para disputar o campeonato infanto-juvenil do SESI realizado no antigo campo de “terra batida” do Paulista, localizado onde é hoje o Senac e o Fórum de Araraquara.

O destaque de nossa equipe, da qual eu fui o goleiro, era o Zé Luiz Martelli, um excelente meia-esquerda, irmão do técnico Nelson.

Porém, nossa equipe nunca conseguiu suplantar a equipe do ATLAS do inesquecível Clemente, que tinha como destaque Ramon Belda (hoje cirurgião-dentista).

Após o torneio de futebol, Nelson, nosso técnico, nos inscreveu num torneio de FutSal juvenil do SESI que aconteceu na quadra coberta adaptada no Prédio do Lia (hoje Hotel Eldorado) na Av. Brasi,l ao lado da igreja Matriz. 

1961 -  São Geraldo 

Convite para o Juvenil da AFE

Após o jogo final onde nossa equipe foi vice-campeã do torneio, fui convidado a treinar no juvenil da AFE pelos treinadores Carlinhos Prada e Bebeto Toloi, que estavam assistindo ao jogo; eram técnicos da equipe juvenil da AFE e atletas da equipe amadora que anos mais tarde fundaram o Benfica em nossa cidade juntamente com outros atletas que jogaram nas equipes de formação da AFE e continuaram a praticar o esporte.

Quando Pirolinha assumiu as equipes menores passei então a jogar, inicialmente na equipe Juvenil revezando com Urias e o Nenê  e posteriormente   no amador que tinha como titular o Carlão e o Ricardo (Gracianauto). 

Castro - 1963

1963 - Octa  Campeão Amador

1963-  Octa Campeão Amador

Castro - 1964

1964 - Campeã Juvenil

Amador (Misto) da AFE

 O amador da AFE passou a ser a equipe que disputava os jogos do campeonato de aspirantes na preliminar dos jogos da equipe principal do campeonato paulista e com o nome de Misto, fazia jogos amistosos pelo interior de São Paulo e Paraná.

O misto era equipe reserva que treinava nos aprontos da semana com o reforço de alguns profissionais que não seriam os titulares no jogo principal.

Nesse período, o treinador do juvenil e amador passou a ser o Vail Motta e em setembro de 64, durante treinamento físico com o Aparecido (Goleiro e Preparador Físico) sofri fratura dos meniscos do joelho esquerdo, o que me fez passar por cirurgia no dia 13 de janeiro de 1965. Tínhamos, então, os seguintes goleiros: Toninho, Dorival, Aparecido, Navarro e Dido . Eu treinava junto com os profissionais, mas disputava o campeonato Juvenil e amador da cidade.

Após um mês e três dias comecei a treinar fisicamente e posteriormente participei de treino coletivo após 6 meses.

No dia 15 de julho de 1965 fui convidado pelo jogador Mario Faccio (quarto-zagueiro), irmão do central Tonhão, a treinar no Botafogo de Ribeirão Preto, que na época tinha apenas dois goleiros na equipe principal: Expedito e Geninho (que atualmente é treinador)

Além de continuar com problema na recuperação do joelho sofri uma contusão séria no ombro direito durante um bate-bola, ficando de voltar após a recuperação.

Tendo a AFE iniciado a campanha de 1966 para a volta à divisão especial, consegui me recuperar e continuei a disputar o campeonato amador ao lado do Carvalho (Foto 5), quando então surgiu o Getúlio que começou atuar pelo juvenil.

1966 -  Amador da AFE

A AFE contratou o técnico Cilinho e Pelica como preparador físico, contando com os goleiros Machado e Dado e nos aspirantes comigo e o Getúlio. 

1966 - Aniversário do Cilinho 


1966  - Aniversário do Cilinho 

1966 - Castro e Téia  no aniversário do Cilinho

Após desentendimento com Cilinho, passei a não mais treinar com a equipe profissional e ficando então à disposição da equipe amadora treinada pelo Vail Motta. 

Devido a compromisso em Campinas, o técnico Cilinho não pôde viajar com a delegação num jogo amistoso contra a equipe do Rio Preto semanas antes de começar o Campeonato da 1ª Divisão Paulista (Acesso a principal), ficando em seu lugar o popular Picolim.

A participação no time principal

Na saída da delegação da pensão, onde estavam concentrados os jogadores, DADO, o goleiro reserva de Machado, teve um mal-estar não podendo viajar e como eu morava a uma quadra da pensão dos jogadores fui chamado a ocupar o seu lugar e pela primeira vez fiquei no banco como reserva da equipe profissional.

 Quando o placar estava 1X0 para a AFE, foram expulsos Machado, Pio e Bazzani, eu entrei no lugar do Machado e sofremos o gol na segunda etapa com a partida terminando empatada, 1X1.

Após participar da campanha da volta à divisão especial eu resolvi jogar futebol com amigos em partidas amistosas beneficentes, principalmente de fim de ano junto com jogadores profissionais que estavam de férias.

No Rio Branco de Ibitinga

O que motivou, no começo de 67, o Tonhão Faccio (irmão do Mário), ex-jogador da AFE, Palmeiras, XV de Piracicaba, ao ser contratado pelo Rio Branco de Ibitinga para jogar e ser o treinador da equipe a me convidar para ser o goleiro da equipe que disputou pela primeira vez o Campeonato Paulista da 3ª divisão.

No Benfica

No início de 68 entrei na Faculdade de Educação Física de São Carlos e comecei a jogar pelo Sporting Benfica Ararquara, que tinha como primeiro diretor fundador “Carlinhos Prada”, meu primeiro técnico, que me levou a treinar na AFE em 1961.

No dia 7 de janeiro 1968 (período de férias de jogadores profissionais de futebol) a equipe do Benfica foi participar de um jogo amistoso beneficente em Ibitinga contra o Rio Branco com os seguintes jogadores: Eu (Benfica), Geraldo Scalera (Palmeiras), Demazinho (Palmeirinha), Antenor (AFE) e Tatá (Benfica). Dudu (Palmeiras) e Rui Branco (AFE). Peixinho (Santos), Salame (Benfica), Liminha (Benfica) e Coró (AFE). 

1968 - Rio Branco Ibitinga 2X1 Benfica 

Atividades como Professor de Educação Física

Além do Futebol, fui contratado pelo Clube Araraquarense como professor das equipes de vôlei, basquete e Ginástica de compensação, e Técnico de vôlei da Fundesport e professor de Educação Física e técnico das equipes do Colégio São Bento, hoje UNIARA.

Em 1970 fui contratado para treinar a equipe de voleibol masculino de Jaú e como goleiro do Benfica, comecei semanalmente a ministrar exercícios à equipe que se sagrou campeã em 1970, sendo homenageada com a entrega das faixas de campeão amador num jogo amistoso no Estádio Municipal com a equipe profissional da AFE, que iniciava os preparativos do campeonato Paulista em fevereiro de 1971. 

1970 - Benfica Campeão Amador

Preparador físico da AFE

Ao final do jogo, ao me dirigir ao vestiário fui abordado pelo Presidente da AFE, Dr. José Wellington Pinto, me convidando para ser o preparador físico da AFE e me dando o prazo de dois dias para responder. Eu agradeci, aceitando.

Na AFE tive oportunidade de trabalhar como preparador físico da equipe e treinador de goleiros, primeiro com o técnico Almeida, ex-jogador da Ponte Preta e AFE e treinador campeão da 2ª divisão do Campeonato Paulista no Rio Branco de Ibitinga. (Fotos 9,10a, 10b, 10c)

1971 - Banco de reservas da AFE 



1971 - Equipe da AFE 

Com Carlos Alberto Silva, que depois foi treinador do Guarani, São Paulo, Corinthians, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Seleção Brasileira principal e Olímpica.

Com Gaspar, ex-jogador da AFE durante determinado período e, finalmente, com o técnico argentino José Agnelli, quando então, após decisão em Araraquara numa partida contra o Noroeste de Bauru em fevereiro de 74, necessitávamos apenas de um empate para garantir classificação a fim de disputar o Paulistão do mesmo ano, sofremos uma derrota por 2X0, não conseguindo a classificação.   

Tal fato fez com que no dia seguinte eu me dirigisse à sede na Av. Duque de Caxias, solicitando demissão de meu cargo.

Não posso deixar de agradecer a amigos que comigo abraçaram essa esportiva missão, que foram: os atletas que sempre acreditaram no meu trabalho, com os quais eu dividi.

Pelica, meu professor na E. S. E. F. de São Carlos, preparador físico na campanha de 1966 no retorno à Divisão Especial, com o qual adquiri experiência suficiente para posteriormente utilizar. (Em memória)

Aos atletas que fizeram parte do plantel no período de Fevereiro de 1971 a Fevereiro de 1974, que comigo conviveram, com especial destaque aos que nesse período foram alunos da E. S. E. F. de São Carlos e participaram da elaboração do plano de trabalho de nossa equipe.

Bebeto de Oliveira, preparador físico do São Paulo, Ponte Preta, Londrina, MAC, Vasco da Gama, Seleção brasileira principal e olímpica.

Nicanor de Carvalho, preparador físico da seleção do Peru ao lado do técnico Tim.  Técnico Bicampeão Japonês de futebol, preparador físico da Ponte Preta e do Corinthians. (Em memória)

Ernesto Luiz Lance, depois jogador do Corinthians e outras equipes

Sergio Luiz Bergantin, exemplo de atleta e professor

Antonio Padovez, exelente central e quarto-zagueiro

 

 Aos diretores do clube na pessoa do Dr. José Welington Pinto

 Aos diretores (Triunvirato) do departamento profissional de futebol:

 Bruno Ópice de Mattos (em memória)

 Luiz Amado Longo de Souza

 Marcos Antonio Crisci.

 Ao Departamento Médico:

 Dr. Wamberto Olivi

 Dr. Eduardo Lauand (Em memória)

 Dr. Nicolino Lia (Em memória)

 Dr. Luiz Tsuha

 Massagistas:

 Dobrada (Em memória)

 Moacir

 Armando (Em memória)

 Roupeiros:

 Zé Catira (Em memória)

 Antenor (Em memória)

 

1971- Castro na pensão da AFE (Preparador Físico)

 Após a experiência como técnico de equipes de basquetebol e voleibol me dediquei à carreira docente: professor de Educação Física em Araraquara em escolas da rede estadual, Faculdade de Engenharia, Faculdade de Odontologia, Faculdade de Filosofia (UNESP).


Fotos do acervo de Francisco Castro

Elaboração e edição: VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI

quinta-feira, 2 de julho de 2020

ZÉ ILTON: DUAS PASSAGENS PELA FERROVIÁRIA. EM AMBAS, ARTILHEIRO PRINCIPAL DO TIME


José Ilton Veríssimo dos Santos, o Zé Ilton, é paulista de Paraibuna, nascido em 10 de março de 1976. Cresceu na cidade de Avaré (SP).

Centroavante rompedor, Zé Ilton foi artilheiro maior da Ferroviária nas duas temporadas em que defendeu o time de Araraquara.

Em ambas as ocasiões, pelo Campeonato Paulista da série A3.

Em 1999, assinalando 13 gols e se tornando o segundo maior goleador do certame. Participou de 21 jogos.

Em 2002, quando anotou seis tentos e liderou os artilheiros grenás ao lado de Toledo. É preciso dizer que Zé Ilton chegou na AFE no segundo turno do campeonato paulista e realizou 12 jogos. Em média, marcou um gol a cada dois jogos.

Em 2002, após o certame paulista da A3, Zé Ilton chegou a fazer duas partidas pelo Campeonato Brasileiro da Série C e não marcou tentos.

Resumindo, em 35 jogos com a camisa da Ferroviária, Zé Ilton assinalou 19 gols, num aproveitamento verdadeiramente incomum.

Carreira

Zé Ilton começou sua carreira profissional em 1995, no Operário de Mato Grosso. Foi artilheiro do campeonato mato-grossense.

Vieram depois: Mixto de Cuiabá, São Paulo (entre 96 e 97), Matonense, Ferroviária (1999), XV de Piracicaba, Botafogo (SP), Oeste, Volta Redonda, Nacional, Ferroviária (2002), Oeste, Rio Preto, Noroeste (2004), Mixto-MT, Serc-MS, Londrina (2007).

No São Paulo Futebol Clube foram apenas algumas partidas amistosas.

Em compensação, no Serc-MS, faturou 13 gols em 16 jogos, num aproveitamento realmente sensacional.

Ao todo, foram 15 clubes que tiveram Zé Ilton em seu ataque. 

Um jogo da primeira passagem pela AFE...

Ferroviária 3 x 1 XV de Jaú

Dia 27 de junho de 1999, domingo à tarde

Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)

Campeonato Paulista da Série A3 (Paulisteca)

Árbitro: Roberto Garbini Filho

Público: 1.250 pagantes

Gols da AFE: Zé Ilton, 30’ do 1º tempo; Silva, 6’30” e Zé Ilton, 40’ do 2º tempo

Gol do XV de Jaú: Cássio, 31’ do 1º tempo

Ferroviária – Milton; Giuliano, Fábio Santos, Ti (Silva), Robson Silva e Rogério Seves (Marcelo Iseppi); Marcos Aurélio, Binho e Paraná; Zé Ilton e Marquinhos. Técnico: Carlos Rabelo.

XV de Jaú – Welington; Dudu, Luís Carlos, Pio (Marcelo) e Booby (Fabiano); César Canela, Cássio (Giuliano), Bruno Taia e Doriva; Alessandro e Juliano. Técnico: Wilson Mano.

 

Um jogo da segunda passagem pela AFE...

Jaboticabal 1 x 2 Ferroviária

Dia 16 de junho de 2002, domingo, 10 horas

Estádio Robert Todd Locke, em Jaboticabal (SP)

Campeonato Paulista, Série A3 (Paulisteca)

Árbitro: Rodrigo Martins Cintra

Gols da AFE: Lucas Polito, 23’ e Zé Ilton (pênalti), 46’ do 1º tempo

Gol do Jaboticabal: Tiago (pênalti), 2’/1º tempo

Ferroviária – Milton; Adelmo, Otacílio e Andrezão; Lucas Polito, Pereira, Rodrigo Bido, Ricardinho (Marcelinho) e Santos; Zé Ilton (Carlinhos) e Júnior. Técnico: Zé Humberto.

Jaboticabal – Narciso; Dezinho, Juninho, Fábio e Tiago; Odirley, Luisinho, Vagner Bahia (Taxi) e Claudinho; Pedrão e Ricardo (Luís Gustavo). Técnico: Pinho.

 

 

Fonte: Arquivo de “Ferroviária em Campo”

Fotos: Acervo de Zé Ilton

Pesquisa, elaboração e edição: VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI


A GRATIDÃO DE SATOSHI À FERROVIÁRIA

Satoshi no futebol: atleta, dirigente, tradutor e empresário.

Satoshi Miyagawa nasceu em Hong Kong no dia 24 de março de 1977.

Estagiou no Brasil de 1992 a 1999. Começou no XV de Jaú, passou por Taquaritinga (CAT) e veio para a Ferroviária em 1996; até 1997, jogou nos juniores; em 1998, atuou pelo profissional.

“Ferroviária em Campo” ouviu Satoshi via zap, através de Paulo Micali e graças ao contato passado por Toco Anjos, a quem endereçamos os nossos agradecimentos,  extensivos ao Satoshi por nos dar esse importante depoimento.


ASSIM FALOU SATOSHI

“A Ferroviária foi um clube muito importante para a minha carreira e Araraquara é uma cidade que está sempre comigo.

Falo português. Na época em que estava no Brasil aprendi o idioma. Sempre falo e escrevo em português, mas às vezes encontro dificuldades para escrever.

Sou japonês. Nasci em Hong Kong porque o meu pai trabalhava lá naquela época, mas sou japonês que mora no Japão.

Quando eu era criança, eu jogava beisebol porque aqui no Japão é um esporte tradicional. Só que quando eu tinha 13 anos mudei para o futebol porque passei a gostar desse esporte.

Difícil explicar porque, mas comecei a jogar e me apaixonei pelo futebol. E desde que comecei a jogar bola, surgiu o sonho de ir ao Brasil para melhorar o meu futebol. Eu achei que se fosse para o Brasil eu poderia crescer mais para poder jogar no futebol. Porque o futebol profissional no Japão começou em 1993, e eu comecei a jogar antes.

E quando eu tinha 15 anos (em 1992), resolvi ir para o Brasil. Larguei a escola e fui. Primeiro eu fiquei no XV de Jaú, depois Taquaritinga (CAT) e depois cheguei na Ferroviária. Fiquei sete anos no Brasil porque cheguei em 1992 e voltei em 1999.

No Brasil eu tenho duas pessoas em minha cabeça. Primeiro, João Carlos, do XV de Jaú. Eu jogava como atacante e ele me aconselhou dizendo que, se eu quisesse ser profissional seria melhor jogar de zagueiro, pois teria mais chances. E comecei a jogar de zagueiro. Depois fui para Taquaritinga e em seguida para a Ferroviária.

Quando cheguei na Ferroviária o treinador de juniores era Wilson Carrasco. Um treinador que me deu uma oportunidade para jogar. Então, nos juniores, eu jogava como titular. Na época tinha muitos jogadores japoneses, como eu, fazendo intercâmbio no interior paulista.

Sempre havia dificuldade de se jogar no futebol brasileiro e se adaptar à cultura brasileira. Não era fácil ser titular.

Tinha preconceito, né, que japonês não sabe jogar bola. Então, era difícil treinador dar oportunidade para japonês. Mas o Wilson Carrasco me dava. Ele me tratava igual, como os brasileiros, e graças a ele eu fui titular. Foi de 1996 a 1997, e em 1998 fui para o profissional. O treinador era Galli. Só joguei uma partida, contra o Olímpia. Joguei como volante, e foi empate, pelo que me lembro. Fui o melhor jogador. Fui entrevistado depois do jogo. Tenho o videocassete até hoje aqui em minha casa.

Na verdade só joguei um ano como profissional na Ferroviária, e no ano seguinte voltei para o Japão. Fiquei sete anos no Brasil, falava bem o português, não tinha dificuldade, mas chegou um momento em que comecei a pensar que era estrangeiro dentro do Brasil, mesmo que falando o idioma local e entendendo a cultura brasileira, no futebol eu era estrangeiro. No Brasil eu teria que ser melhor que os locais, e é claro que os locais ganham mais chances que os estrangeiros.

Foi em 1999 que decidi voltar ao Japão. Chegando aqui, joguei em alguns clubes amadores mas em 2001 ganhei um contrato com um time da segunda divisão de profissionais do futebol japonês. Chama Sagan Tosu. Então, joguei quatro anos lá (2001 a 2004), onde tinha jogadores estrangeiros, entre eles o filho do Zico.

Como eu falava português, às vezes ajudava os atletas brasileiros na tradução do dia a dia. Em 2004 foi a minha última temporada no profissional. Eu tinha 28 anos e decidi parar de jogar bola.

Pode parecer muito cedo, mas com 15 anos fui para o Brasil e praticamente fiquei 13 anos no futebol. Cheguei ao ponto de pensar que fiz tudo no futebol.

Comecei a trabalhar como tradutor no Vissel Kobe, que é o clube atual do Iniesta. Fui tradutor do Roger, lateral-esquerdo, hoje treinador no Brasil. Depois veio o Emerson Leão... depois o Caio Júnior. E depois, vários jogadores brasileiros. Trabalhei seis anos como tradutor. Em seguida trabalhei seis anos como scout internacional e virei diretor do clube. Portanto, no Vissel Kobe foram 12 anos, seis como tradutor e seis como diretor do departamento profissional.

Após isso, comecei a trabalhar como empresário, o que sou até hoje. Faz quatro anos. Moro em Kobe-shi, sede do clube (Vissel). Meu foco é trazer atletas brasileiros para o Japão. Atualmente eu tenho alguns brasileiros e também atletas e treinadores japoneses.

Só queria dizer que o Brasil foi um país que me deu uma oportunidade. Até agora eu trabalho no futebol graças ao Brasil. Na vida também você aprende muita coisa no Brasil. É claro que passei bastante dificuldade aí porque não falava o português, não existia smartphone... Eu sempre tinha um dicionário na mão, morava no alojamento do clube e às vezes passava dificuldade.

Mas, resumindo tudo isso, aprendi bastante coisa no Brasil e atualmente também trabalho com o Brasil. Então, o Brasil é um país pelo qual tenho bastante amor. E principalmente a Ferroviária, um clube onde joguei como profissional, além dos juniores.

Marlon, Satoshi e Wilson Carrasco (grande incentivador de Satoshi)

Adoro a Ferroviária, adoro Araraquara, adoro o Brasil.

Depois que me tornei empresário, visitei Araraquara e a Ferroviária. Vi que o estágio mudou. Fiquei muito contente com o crescimento do clube. E devo lembrar do Bazani, que na época também sempre me deu atenção. Gostava muito dele, pessoa que também eu lembro muito.” 

 

Toco e Satoshi

Sobre Satoshi, assim se manifestou Fábio Leite, seu ex-colega na Ferroviária:

“Bom jogador. Jogava sério... dos melhores entre os japoneses que estagiaram por aqui. Até hoje falamos dele e do Misukano, outro bom jogador.”

 GALERIA DE FOTOS

 (ampliáveis)







Fotos do acervo pessoal de Satoshi

Elaboração e edição: VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI

terça-feira, 30 de junho de 2020

EM FINAL DE CARREIRA, HELINHO FOI MEIA DA FERROVIÁRIA EM 1998


Grande feito do moço de Sertãozinho: marcou quatro gols no Mineirão, contra o Cruzeiro, jogando pelo Remo. E ainda fez uma assistência. Helinho soma diversas conquistas em sua carreira. 

Helinho Sertãozinho

Hélio Aparecido Vaz, respondendo no futebol pelo apelido de Helinho, nasceu no dia 12 de março de 1969 na cidade paulista de Sertãozinho. Jogando como meia, Helinho defendeu oito clubes (cinco de São Paulo, um de Goiás, um do Pará e um do Paraná). 


Na Ferroviária

Helinho veio para a Ferroviária em 1998, com 29 anos de idade. Jogou o Campeonato Paulista da Série A-3. Participou de 21 dos 28 jogos efetuados pela Locomotiva. Marcou dois gols, contra o mesmo adversário, o Jaboticabal, sendo um em cada turno do certame. 

Araçatuba 1993

A sequência de clubes

Helinho começou defendendo o representante de sua terra, Sertãozinho F.C., de 1985 a 1991 e também no segundo semestre de 1993.

Atuou pelo Anapolina (GO) no segundo semestre de 1991.

No Araçatuba, de 1992 a 1997.

No Remo, durante o segundo semestre de 1994.

No segundo semestre de 1995 atuou pelo Furacão, o Athletico Paranaense.

O Corinthians de Presidente Prudente foi o seu time no segundo semestre de 1996.

O Comercial de Ribeirão Preto o teve em suas fileiras no segundo semestre de 1997.

E a Ferroviária contou com o seu futebol durante o Campeonato Paulista da Série A-3, em 1998. 

Araçatuba 

Os feitos de Helinho como atleta

É o próprio meia quem relata rapidamente as suas principais conquistas:

“Fui campeão pelo Araçatuba em 1994, no Paulista da A-2, sendo artilheiro do time com 12 gols, junto com o Marcão.

Campeão estadual pelo Remo. Renovando em 1994, fui artilheiro do time no Brasileirão com sete ou oito gols. Nessa ocasião, marquei quatro gols num jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, e dei uma assistência para um gol do Cuca (o técnico). O Remo goleou o Cruzeiro por 5 a 1.

Pelo Athletico Paranaense, fui campeão brasileiro da série B em 95. Time que contava com Oseas e Paulo Rink, entre outros.

Em 89 subi com o Sertãozinho, um time muito bom.”  


Na atualidade

Hoje Helinho é treinador. Fez curso na CBF. Foi técnico da base do Sertãozinho durante alguns anos, quando andou enfrentando a Ferroviária em jogos em Araraquara e em Sertãozinho por campeonatos oficiais do sub-20 e do sub-17. Em 2019, Helinho foi Auxiliar Técnico do Batatais. Atualmente, está sem clube.

 

Ficha técnica de um jogo do Helinho pela Ferroviária

Foi no dia 12 de abril de 1998, quando a Ferroviária comemorava 48 anos de existência.

Ferroviária 3 x 1 Jaboticabal

Fonte Luminosa, em Araraquara (SP)

Campeonato Paulista, Série A-3

Árbitro: Antônio Sérgio de Camargo

Expulsão: Luiz Antônio (Jaboticabal), no segundo tempo

Gols da Ferroviária: Monga, 18’/1º; Helinho, 47’/1º e Alex, 47’/2º

Gol do Jaboticabal: foi assinalado aos 34’/2º tempo. Não temos o seu autor.

Ferroviária – Nilton, Toco, Fonseca, Lopes, Julimar, Alex, Mauro Botelho (Émerson), Celinho, Márcio, Helinho (Essinho) e Monga (Wiliam Bernal). Técnico: José Galli Neto.

Jaboticabal – Marcelo, Gílson, Luís Antônio, Naldo, Tiago (Bueno), Nenê, Robson (André), Rivellino, Nei (Fábio), Maurício e Isaías. Técnico: Vilson Tadei.

(Fonte: Rodolfo Stella) 

Fontes:
Acervo de “Ferroviária em Campo” e Rodolfo Stella

Fotos: Facebook Helinho Vaz

Pesquisa, elaboração e edição: VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI

sexta-feira, 19 de junho de 2020

RELATÓRIO DA TERCEIRA EXCURSÃO DA FERROVIÁRIA AO EXTERIOR – 1968


Quando a Ferroviária excursionou pelas Américas, em 1968, naquela que foi a sua terceira viagem internacional, Wilson Silveira Luiz foi o jornalista responsável pela divulgação. Como a decisão de sua ida aconteceu após o embarque da delegação afeana, Wilson viajou às pressas para se incorporar ao grupo.

A excursão desenvolveu-se no segundo semestre daquele ano e revestiu-se de pleno êxito.

Então, em janeiro de 1969, Wilson Luiz preparou um relatório detalhado da cobertura que fez, endereçando-o ao CND (Conselho Nacional de Desportos).

Contou, para a elaboração do importante documento, com a preciosa ajuda do Sr. Alceu de Almeida Santos, então Secretário da Ferroviária.

Estamos recebendo cópia do relatório de grande valor histórico, nunca antes divulgado, conforme diz Wilson Luiz, e o apresentamos agora neste blog “Ferroviária em Campo”. (Clique nas imagens para ampliar)

Agradecimentos ao jornalista e radialista Wilson Silveira Luiz pela deferência e cumprimentos pelo zelo com que se desincumbiu de sua missão. Mais que isso, pela comprovada competência. Parabéns, Senhor Decano!

 Elaboração e edição de VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI

quinta-feira, 18 de junho de 2020

ARARAQUARA TEM NA FERROVIÁRIA E EM LOYOLA BRANDÃO DOIS DIVULGADORES DE PRESTÍGIO

Araraquara vem contando com dois nomes fortes para propagá-la pelos recantos do país. Isso, de há muito.

Ferroviária com seu futebol de muita história e Ignácio de Loyola Brandão com suas dezenas de livros muito lidos e premiados.

O texto da revista Placar, que ora mostramos neste espaço traz uma realidade pintada por Loyola a respeito da torcida da Ferroviária. Foi publicado há muito tempo, em 1971.

Muita coisa mudou desde então. A Ferroviária teve fases de sucesso em competições nacionais e depois caiu, ficando de fora da divisão principal por longos 19 anos. Reergueu-se através da passagem para S.A., o que lhe propiciou a estabilização das finanças. O momento é de esperança da galera grená quanto a uma evolução no Campeonato Brasileiro.

Com relação ao escritor renomado, também houve inclusões relevantes em seu histórico literário. Além de um número apreciável de obras produzidas e publicadas, Loyola Brandão tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, o que o torna um imortal das letras. Fez-se justiça à sua criatividade e à sua aplicação invulgar.

Mas uma coisa não mudou muito, como deveria mudar, se analisarmos o teor do texto divulgado pela revista Placar de 1971, edição nº 55. Loyola fala da torcida da Ferroviária de então, e da falta de apoio da cidade à sua maior representante. O número de torcedores aumentou, evidentemente, mas não na proporção que se deveria esperar.

Acompanhem o texto produzido pela Placar e sintam como o drama vem de longe... e como o problema perdura. A situação só não é aflitiva porque a Ferroviária se apresenta melhor estruturada e com apoio de investidor forte. Mas o número de torcedores fieis e com quem a agremiação pode contar continua sendo incompatível.

É interessante ler o recorte da revista Placar que apresentamos nesta matéria. A foto de Loyola Brandão portando a bandeira da AFE é uma mostra de sua paixão pelo clube. Ele não perde uma oportunidade de difundi-lo... e faz tempo.

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Fotos da Revista Placar nº55

Pesquisa, elaboração e edição> VICENTE HENRIQUE BAROFFALDI e PAULO LUÍS MICALI